quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Pinha's Band) - Capítulo 58 - Por Luiz Domingues



Após uma série de ensaios em trio, percebemos que agregar mais um componente seria estratégico para encorpar o som da banda. 

O Pinha harmonizava bem, mas seus solos não eram muito inspirados, e dessa forma, conversando conosco, resolveu agregar um segundo guitarrista. 

Eu estava sabendo que o guitarrista Raul "Zica" Müller, estava disponível e procurando um trabalho, e dessa forma, fui rápido, e o indiquei. 
Eu conhecera o Raul em 1983, quando eu estava na Chave do Sol, e nós fomos contratados para tocar no Victoria Pub, em fevereiro desse ano citado. 

Ele tocava com o Fickle Pickle. Seu estilo era sólido no Rock'n 'Roll, Hard-Rock e Blues, principalmente.
Ele também tocara, no fim dos anos setenta, com o Lírio de Vidro, onde também tocava, Kim Kehl, com quem eu fui tocar, muitos anos depois, a partir de 2011. 

E logo que o apresentei para o Pinha e Paolo, ambos simpatizaram com ele, e assim, passamos a ensaiar em quarteto.
De fato o som encorpou e com solos legais, contra-solos e desenhos, o som coloriu. 

Apesar dessa melhora acentuada, o Raul não participou de uma apresentação que o Paolo agendou para o final do ano, onde nos apresentamos como trio, num pocket show. 

Isso aconteceu no dia 21 de dezembro de 1990, num bar chamado "Anima". 

Foi uma festa de confraternização das bandas que ensaiavam regularmente no estúdio Coda, do Paolo, e a nossa banda também tocou, com apenas três musicas no set list.  

Depois da virada para 1991, outro show foi agendado, parecendo que a banda engrenaria, mas uma surpresa desagradável mudaria esses planos, conforme relatarei a seguir.

E foi assim que nos programamos para uma apresentação, onde tocaríamos o repertório todo das composições do Pinha, e a inclusão de um único cover sugerido de última hora, "Born to be Wild", do Steppenwolf. 
Essa apresentação ocorreu num bar bem montado, mas obscuro, e situado num lugar sem nenhuma tradição noturna, em plena Av. Santo Amaro, chamado :"Aonde Bar". 

De cara o nome do estabelecimento era uma piada pronta, pois "aonde" era uma grande questão. 

Curiosamente, apesar de estar deslocado numa avenida de movimento, e cercado de comércio, a casa era bem montada e tinha uma decoração aconchegante, com várias motivações sobre a MPB sessenta/setentista, predominantemente Elis Regina, com vários posters e capas de discos etc. 

Um surpreendente público de 60 pessoas compareceu à apresentação, em 24 de janeiro de 1991, considerando ser um bar escondido mesmo. 

Mas a apresentação foi marcada por problemas. 

Apesar de estarmos bem ensaiados, muitos erros ocorreram, por exemplo na contagem inicial da música "Born to Be Wild", causando constrangimentos.
Lembro-me do Raul chegando perto de mim e cochichando : "Estou me sentindo no jardim da infância"... 

E com essa apresentação cheia de errinhos bobos, o ânimo caiu bastante. O Pinha pediu um tempo para repensar o projeto, mas na verdade o tempo se tornou definitivo... 

A banda encerrou atividades, e nunca mais tive notícias do Pinha. 

Se ele fez algo na música, passou batido para mim, dali em diante. 

O Paolo continuou mais um pouco com o estúdio Coda. Em 1991, eu o convidaria para um projeto de banda cover, que chegou a ensaiar bastante, mas não vingou ao vivo. Falarei disso, mais adiante. 


Lá pelo meio dos anos 1990, vendeu o Coda, e se tornou gerente de uma famosa loja de instrumentos e equipamentos, da Rua Teodoro Sampaio. 

Quanto ao Raul, anos depois se tornou técnico de som. Trabalhou anos como técnico de P.A. da Rita Lee, após estudar, e se tornar um grande profissional dessa área. 

E assim foi minha meteórica passagem pela "Pinha's Band"...

 
Continua...

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