domingo, 18 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Uma noite como "Sub", no Firebox) - Capítulo 66 - Por Luiz Domingues

 

O próximo trabalho avulso que tive, foi apenas um socorro prestado à uma banda formada por amigos meus, mas rendeu uma história. 

O "Firebox" era uma banda peso-pesado da cena metaleira, no fim dos anos oitenta. 

Nele tocava meu amigo Paulo Thomaz, baterista que era do Centúrias. 

A formação ainda tinha dois guitarristas, Marcelo e Michel, e o baixista era o Luis Mariutti, então ainda desconhecido, antes de tocar no Angra.
Foi em outubro de 1990, que recebi um telefonema do Paulão Thomaz, convidando-me a "quebrar um galho" para eles. 

A situação era a seguinte : eles tinham um compromisso inadiável a cumprir, e o baixista Luis ficara doente, e obedecendo ordens médicas, teria que ficar em repouso absoluto por duas semanas, no mínimo. 

O Paulo sabia que aquela praia sonora deles, não era a minha, de forma alguma, mas emergencialmente, arriscou ligar-me. 

Apesar de eu estar lotado de ensaios com outros projetos, conforme descrevi aqui anteriormente, fora minhas aulas, eu topei pela amizade. 

Então, encaixamos dois ensaios nesse ínterim, com o Michel Perrie me auxiliando bastante no sentido de esclarecer dúvidas sobre a harmonia das músicas. 

Confesso que apesar de toda a camaradagem, e boa vontade dos caras, o som era por demais estranho para mim. 

Eles o definiam como Thrash-Metal, e qualquer coisa minimamente mais pesada que o Hard-Rock, já machuca meus ouvidos. 

Era um som "embolado", na minha ignorante visão desse universo. 

Talvez no ponto de vista de quem aprecia o gênero, soe melódico, mas para mim, era uma autêntica serra elétrica. 

O Michel era um guitarrista excelente. Professor graduado em escolas famosas da França e dos Estados Unidos, era mesmo um virtuose. 

Lembro dele em sua banda anterior (Jaguar), bem mais amena, sonoramente falando, e ali, podia mensurar bem o quanto ele era bom. 

A despeito dos rapazes serem extremamente gente boa, eu achava incompreensível eles curtirem aquele trabalho, praticamente sem melodia, agressivo e embolado. 

Bem, fomos então fazer o show na casa "Blue Note", na Av. São Gabriel, no Itaim-Bibi, zona sul de São Paulo, uma casa tradicionalmente acolhedora de bandas de Blues e Jazz, o que tornava aquele show ainda mais bizarro.  

O show foi bom para os padrões desse universo do Metal extremo. 

Eu errei um pouco, admito, mas todos foram extremamente gentis comigo, relevando minha falta de traquejo dentro daquele mundo.
Um fato curioso aconteceu: meu amigo Nilton Cesar, o popular "Cachorrão", vocalista do Centúrias, estava presente nesse show, e quem o conhece pessoalmente, sabe que é um humorista em potencial, com uma capacidade incrível de satirizar, usar sarcasmo, humor negro, e todo o repertório de humor possível. 

Ao me ver com cara de assustado, vendo o público se debatendo enquanto tocávamos, gritou : "Calma, não é briga, estão apenas se divertindo..."

Cerca de 200 pessoas estiveram presentes no "Blue Note", com uma banda "Metallica" Cover tendo feito a "fechadura" do show, pois tocaram depois de nós (ainda bem !). 

Isso ocorreu no dia 31 de outubro de 1990, e sim, foi uma festa de Halloween. 

Tinha muita gente fantasiada de forma macabra, e chamava a atenção, um sujeito vestido de "diabo", que estava alucinado.
Pensava que no inferno tinha só enxofre, mas esse rapaz estava doido era de outra coisa... 

E claro, foi um prato cheio para o Nilton "Cachorrão" Cesar, que teve elementos de sobra para elaborar suas piadas, sempre muito hilariantes, e de total improviso.
Foi legal ter ajudado os amigos, mas me senti realmente um estranho no ninho, naquela noite...  

O Firebox durou um pouco mais de tempo depois disso. 

Ainda na primeira metade dos anos 1990, o Paulão Thomaz estaria fundando uma nova banda, denominada "Cheap Tequilla", bem mais Rock'n' Roll tradicional, com flertes com o Southern Rock. 

O Michel era um dos mais requisitados professores de guitarra de São Paulo, e tempos depois, soube que voltou à França (ele é de fato, francês). 
O Luis ficou famoso no mundo do Metal, como baixista do Angra, e o outro guitarrista, Marcelo, que era bem jovem, e ex-aluno do Michel, acabou enveredando também para o mundo didático da música, tornando-se professor de guitarra. 

Essa foi minha curtíssima história com o Firebox !

Continua...

  

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