domingo, 18 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos ( Tributo à Janis Joplin - Laert Sarrumor e Amigos) - Capítulo 70 - Por Luiz Domingues

O show teve um esforço de divulgação razoável, pois foram feitos cartazes, filipetas, e até os "Lambe-Lambe", cartazes de grande porte para muros, e tapumes urbanos. 

Ocorreu no dia 19 de janeiro de 1996, mas infelizmente com pouco público. Apenas 60 pessoas passaram pela bilheteria, e além dessa banda tributo, haveria a apresentação de uma banda autoral muito interessante que eu já havia ouvido falar, chamada "The Tea House Band" .

A vocalista/baixista da banda era amiga do Laert, e pelo que pesquei de conversas no camarim, havia participado da produção do Língua de Trapo, por ocasião da retomada das atividades da banda em 1992. 

Assisti o show de abertura deles pela coxia, e curti muito, pois era 100% calcado em bubblegum sessentista.
O visual deles remetia ao pop bubblegum dos anos 1960, e aquilo me impressionou muito positivamente, pois vivia uma fase em que estava muito imbuído de viver uma experiência retrô nesses moldes, e assim foi quando o Pitbulls on Crack lançou o CD "Lift Off", e posteriormente com a formação do Sidharta, e fusão com a Patrulha do Espaço. 

Conversei rapidamente com os membros do "The Tea House Band", e curti saber que eles realmente eram 100% influenciados pelos anos 1960. 

Era bom saber que eu não estava sozinho no mundo, e que não era apenas um turrão mergulhado numa idiossincrasia nostálgica, e portanto avesso ao mundo de "rockers de bermuda e com piercings por todo o corpo", panorama dos anos noventa. 

No camarim, foi um festival de risadas, com tantas piadas que surgiram. Principalmente quando o Laert vestiu a roupa que alugara especialmente para o show. 

Era um terno de cetim cor-de-rosa, com camisa colorida e cheia de babados e acessórios vintage, como um par de sapatos de salto carrapeta, e um chapéu espalhafatoso, com plumas enormes. 

Tudo bem, ele queria usar um visual Hippie Chic exagerado, mas ficou mais parecido com o Sly Stone do que Janis Joplin.

E quando nosso velho amigo, o ator Paulo Elias, outro ex-membro do Língua, viu aquilo, teve um ataque de riso e disse : - "Laert , você está parecendo um cafetão de filme policial americano...só fica faltando um cadillac conversível, e uma putas em sua volta..." 

Em princípio, o Laert  não curtiu a piada, e respondeu : - "Pô Paulinho, não precisa esculhambar..." 

Aí, a reação foi ainda mais engraçada, com todo mundo no camarim caindo na risada, pois mais esculhambado que a fantasia que ele alugara, era impossível... 

Ele também caiu na risada e ficou tudo bem, então. Subimos ao palco e o show foi legal, embora curto.
Eram 8 ou 10 músicas apenas. Confesso que curti muito tocar ao vivo novamente "Amor à Vista", uma música que eu gostava muito, durante minha segunda passagem pelo Língua de Trapo. 

Era uma letra satírica, cheia de nuances absurdas, mas tratava-se de um belo blues, bem sessentista, com carga freak intensa. 

À medida que íamos tocando, eu notava no semblante daqueles 60 gatos pingados, um ar de frustração e expectativa, pois esperavam músicas da Janis Joplin, e nós ali só tocando canções estranhas aos seus ouvidos...
A última, foi "Buried Alive in Blues" e o público se soltou, com alguns dançando no imenso espaço vazio do Aeroanta, com pouca gente. 

O Laert ficou dançando pelo palco e foi um misto de algo bonito pela homenagem sixtie, e engraçado também, pois sua veia humorística nunca sai de férias. 

Então encerramos, e muita gente do público chiou... 

Ouvi um rapaz falando que "queria o dinheiro de volta, pois fora enganado, já que aquilo não era tributo à Janis Joplin de jeito nenhum".
Um grupo de garotas também protestava, alegando que tinham vindo de Caieiras (um município da Grande São Paulo, relativamente longe da capital) etc. 

Realmente, foi um tributo estranho, quiçá irônico, mas por outro lado, não era um show cover. E uma coisa eu posso confirmar : O Laert é apaixonado pela Janis Joplin.
Desde que nos conhecemos em 1976, eu sei disso. Portanto, a não inclusão de músicas da Janis Joplin, fora o instrumental, não tinha conotação de afronta, de forma alguma. 

E assim foi esse trabalho avulso, que valeu muito mais por reencontrar velhos amigos como o Laert, Naminha e Paulo Elias, por exemplo.

Continua...

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