sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos ( Aura - Produção de Estúdio) - Capítulo 63 - Por Luiz Domingues

Sem dúvida alguma, o segundo semestre de 1990, foi de agenda lotada para mim, conforme estou descrevendo. 

Além de ter sido um período onde acumulei três projetos, dividindo-me em ensaios distintos (Lynx, do guitarrista Flavio Gutok; Pinha's Band e Projeto Rock'n'Roll), recebi também um convite muito legal para auxiliar na produção de uma banda de um aluno meu, que entraria em estúdio para gravar uma fita demo. 

E ainda no final de 1990, tive mais dois convites, que logo mais contarei também, mas aí como músico.


O caso desse convite para atuar como produtor, foi o seguinte : Eu tinha um aluno meu chamado Marcelo Dias, que era da minha primeira turma de alunos, surgida entre 1987 e 1988. 

Ele era apelidado de Marcelinho "Carioca", por ser natural do estado do Rio (era de Volta Redonda, no interior), portanto, deveria ser "Marcelinho Fluminense", mas enfim... 

E o Marcelinho Carioca era um excelente aluno, e de um caráter fantástico, um tremendo cara, cheio de sonhos com a música etc e tal.
Em 1988, ele me comunicou que sua banda, chamada "Êxito", teria arrumado uma data no Teatro Elis Regina, na cidade de São Bernardo do Campo, no ABC. 

Ele era radicado desde criança naquela cidade, e a banda era formada também por colegas que moravam lá. 

O som do "Êxito", era Hard-Rock. Tinham muita influência setentista, mas o som não era explicitamente retrô. 

Porém, era bem tocado, pois além dele ser um excelente baixista, e um dos meus melhores alunos à época, os outros músicos eram do mesmo nível. 

Mas evidentemente, por não serem conhecidos ainda, de nada adiantava-lhes ter a data no teatro, pois não tinham perspectivas de levar um grande público sozinhos. 
A Chave, na formação 1988-1989, e que tocou com o Êxito, no Teatro Elis Regina, em 1989.


Diante disso, propuseram-me que "A Chave"(naquela fase final, sem o Sol...), fosse headliner, com o "Êxito" fazendo a abertura, e nós ficaríamos com a maior porcentagem da bilheteria. 

Era certamente um convite irrecusável. Apesar de ser uma fase terminal da banda, nós fizemos o show, e foi um sucesso de público, o que proporcionou uma excelente renda, e o "Êxito" saiu recompensado por tocar num teatro lotado. 

Após algum tempo, o Marcelinho me disse que a banda estava sendo reformulada, e o vocalista Fernando Nova (na foto ao lado, e que acabou ficando famoso no meio Hard-Rock paulista, nos anos 1990, por outros trabalhos posteriores), havia saído, e com ele fora, estavam calcando o novo trabalho autoral 100% no Rock Progressivo setentista. 

E mais ou menos em julho de 1990, convidaram-me a produzir uma demo que gravariam num estúdio em Santo André, cidade vizinha à São Bernardo do Campo. Para tanto, disse-lhes que topava, claro, e pedi para assistir um ensaio e conhecer as músicas. 
Fui então assistir um ensaio deles na casa do baterista, Fernando Loia, em São Bernardo do Campo. Fiquei encantado com o som que estavam fazendo. Era puro prog setentista, com músicas longas, cheios de climas incríveis, diversas convenções complexas, suítes, vocalizações, e com os instrumentistas fazendo arranjos individuais muito elaborados, bem na tradição desse gênero. 

Aquilo vinha de encontro às minhas epifanias que haviam começado a retumbar fortemente dentro de mim, desde meados de 1988, e que me acompanhariam na década de noventa inteira, culminando no projeto Sidharta, e na sua fusão com A Patrulha do Espaço, mas essa história em particular, é contada nos capítulos dessas duas bandas, certamente. 

Essa visita ocorreu num domingo, e haviam muitas pessoas presentes. Parentes e amigos dos membros da banda, lotavam a garagem aberta, que despertava também a atenção de vizinhos e transeuntes. 

De certa forma, lembrou-me os ensaios da minha primeira banda "Boca do Céu", em 1977, quando eram realizados na minha casa e viraram, um verdadeiro happening hippie, conforme já descrevi nos capítulos daquela banda. 
E para descontrair, além das músicas que pretendiam gravar, tocaram vários clássicos do Rock Progressivo, incluso uma versão de "Firth or Fifth", do Genesis, que chegou a me impressionar, pela perfeição, e não me importou em nada o fato do equipamento do qual dispunham, ser precário. 

Fiquei muito entusiasmado pelo nível da banda, que fazendo Rock Progressivo, era muito melhor que a formação Hard, mezzo oitentista que eu conhecera em 1989, como Êxito". 

E assim, ficou estabelecido que nos encontraríamos no estúdio, numa segunda-feira, às 20:00 h. 

Seriam cinco sessões de quatro horas para gravar e mixar o material todo. 

Para um padrão de Demo-Tape, apenas razoável, mas teríamos que cumprir o horário, pois era a quantidade de sessões que o bolso deles permitia.


Continua...

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