segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Gravação de Tema Antidrogas) - Capítulo 74 - Por Luiz Domingues



Algum tempo depois de ter trabalhado com os meninos do "Essex" em estúdio, ainda em 1997, recebi o telefonema do vocalista Nando Fernandes (Cavalo Vapor, Hangar), convidando-me a participar de uma gravação de um tema, em prol de uma campanha contra as drogas. 

      Um dos melhores vocalistas do Brasil, Nando Fernandes

Seria tudo patrocinado por uma entidade, mas claro, a participação dos músicos, seria sem cachet.

Aceitei o convite por se tratar de uma causa nobre, evidentemente.

Segundo o Nando, seria uma banda base, e diversos vocalistas e guitarristas que se revezariam nos vocais e diversos solos.

Foi marcado um primeiro ensaio, e para a minha sorte, era bem perto de casa, questão de dois quarteirões.


Curiosamente, eu já morava, naquela época, há sete anos no bairro (Aclimação, zona sul de São Paulo), e não conhecia esse estúdio de ensaio, mesmo passando constantemente em sua porta.

Compareci ao estúdio, e por morar perto, fui o primeiro a chegar. A sala que usaríamos estava ocupada ainda pelo cliente anterior, que verifiquei ser o "Exaltasamba".

Quando o segundo participante chegou, vi que era o baixista Luis Mariutti, naquela época já bem famoso por tocar na banda de Heavy-Metal, "Angra". 
                     O ótimo baixista e gente boa, Luis Mariutti

O sucesso não o mudou em nada. Calmo, educado e humilde, lembrou-se de mim, e ficamos conversando, relembrando o fato dele ter ficado doente, e eu tê-lo substituído num show de sua então banda, o "Firebox", sete anos antes (relatado em capítulo anterior).

Então foram chegando os outros participantes, e os pagodeiros do "Exaltasamba" terminaram o seu ensaio, abrindo o caminho para nós.
          Átila Ardanuy, excelente guitarrista e produtor musical   

Lembro-me da presença do Átila Ardanuy, irmão do guitarrista Edu Ardanuy. Também da escola do virtuosismo, Átila tocava muito bem, mas seu espectro de música, era o do som pesado oitentista, como praticamente todos os envolvidos naquela produção.

O Hélcio Aguirra estava presente também; havia um tecladista; outro guitarrista que não me recordo, e o baterista foi o Franklin Paollilo.

Um dos melhores bateristas do Rock brasileiro, de todos os tempos, Franklin Paollilo

Surpreendi-me contudo, pois quando o ensaio começou, o Nando perguntou se alguém tinha alguma ideia inicial. Achava que o tema já estava composto, e só o ensaiaríamos... 

Todavia, a proposta era criá-lo ali na hora, ensaiar, e dali há poucos dias, entrar em estúdio para gravá-lo.O Átila tomou a dianteira, e foi dirigindo a criação do tema, que ficou bem Pop anos oitenta, meio Van Halen fase Sammy Haggar, meio Yes fase Trevor Rabin.

Combinei com o Mariutti, para eu tocar bem simples, fazendo uma linha reta, e sem frase alguma, e ele ficar livre para fazer intervenções, assim não embolaríamos, visto que o Nando queria dois baixos no track.

A gravação ocorreu alguns dias depois, no estúdio Mosh. 

Ali, eu e o Franklin fizemos a base geral, junto ao Átila e Hélcio Aguirra, porém, haveria um "saco de guitarristas" para executar solos.

                       Luiz Carlini, lenda do Rock Brasuca   

Lembro-me de ver no estúdio, o Luiz Carlini, Edu Ardanuy e Faiska, entre outros.

Fui embora, após ter feito a minha parte. Lembro-me que o estúdio virou uma balbúrdia com tanta gente. Era a sala "C".


                   Faíska, um guitarrista impressionante

Na sala "A", estava a cantora Simone, gravando um novo álbum.

Os dias foram se passando e o Nando não me ligou mais. Alguns anos depois, eu estava na Patrulha do Espaço, e o encontrei numa lanchonete. Ele me disse que ficara engavetada a música, e que estava para ser dada uma solução para isso, e que me avisaria para providenciar-me uma cópia.

Ficou por isso, e não consigo nem me lembrar dela, nem mesmo o nome que lhe foi dado.

No cômputo geral, ficou bem gravada, lógico, pois era o Mosh, um dos melhores estúdios do Brasil, e com um monte de músicos bons, tocando. 

Mas era bem Pop oitentista, cheio de solos intermináveis, com a letra ficando muito piegas. Difícil tratar de um assunto dessa natureza e não soar ingênuo, eu reconheço.

O Nando é extremamente bacana, e sem dúvida que esse destino mal traçado para o projeto, não foi sua culpa.

Continua... 

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