domingo, 18 de agosto de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Diamond Dogs - David Bowie Cover) - Capítulo 67 - Por Luiz Domingues



Este caso ocorreu no início de 1991. 


 Como tinha tocado com o Chris Skepis no "Eletric Funeral", banda tributo ao Black Sabbath, e nem era tão fã assim do Sabbath, o Chris convidou-me para outro evento cover, e cujo artista enfocado, eu tenho muito maior identificação : David Bowie.

Batizamos a banda como "Diamond Dogs, nome de um álbum do Bowie, logicamente.

Bem, não é a minha praia tocar cover, mas em 1991, após uma série de tentativas frustradas de integrar-me à uma banda autoral, conforme já relatei aqui, precisava reforçar o meu orçamento, e quando surgiu o convite, o aceitei de pronto.


O time era excelente, com a presença de Franklin Paolillo (Ex-Rita Lee & Tutti-Frutti, Joelho de Porco, O Terço e Made in Brazil), na bateria; e Johnny Boy (ex-Camisa de Vênus e Ex-Nazi & Os Irmãos do Blues), nos teclados. 

Aliás, foi ali que conheci o Johnny Boy, e impressionei-me com sua versatilidade de multi instrumentista, pois tocava baixo, guitarra e teclados, com grande desenvoltura.

Não havia um guitarrista contudo, e o Chris Skepis não queria tocar, pois pretendia dedicar-se só ao vocal, e fazer todo o mise-en-scené do Bowie, nas apresentações.
Então, tive a ideia de apresentar um amigo, que era guitarrista, mas nunca tocara anteriormente numa banda, além de ensaios com bandas de garagem. 

Era extremamente gentil, solícito e bom camarada, mas o fato é que eu só o ouvia dizer que tocava, mas nunca o vira em ação.

Esse foi o meu grande erro ! 
Não revelarei seu nome, embora talvez não fizesse diferença, pois ele jamais tocou em alguma banda significativa. Mas o preservarei assim mesmo.

Em duas semanas, cada um tirou uma série de músicas. Eu tirei toda a minha parte, e mesmo não curtindo tocar covers, confesso que tive prazer e facilidade para tirar o material, pois conhecia tudo e adorava (adoro) aquelas músicas.

Então chegou o ensaio, que realizou-se no estúdio "864", na Vila Pompeia, zona oeste de São Paulo, que pertencia ao Chris.
Na primeira música que fomos tocar, "Suffragete City", o meu amigo "travou". 

Ele estava tão inibido em tocar com músicos muito mais experientes, que mal conseguia fazer as coisas mais simples da base. 

Ficou um clima, e após várias tentativas, resolvemos ir para outra. Tentamos "Five Years", e ele mal conseguia fazer a base simples no riff inicial.
Lembro-me que todos foram compreensíveis. O Johnny Boy chegou a pegar a guitarra e mostrar a sequência da harmonia, mas ele não conseguia passar do segundo acorde. 

Enfim, marcou-se um segundo ensaio, mas alegando outros compromissos, o Johnny Boy e o Franklin cancelaram suas participações na banda, e assim eu e o Chris abortamos a ideia.

Nunca houve um papo franco sobre isso, com esse amigo. Ele ficou constrangido, mas não tocamos mais no assunto, e a amizade prosseguiu por bastante tempo. 

Cheguei a comparecer na cerimônia de casamento dele, mas depois a vida nos dispersou. Só fui falar com ele muitos anos depois, 2008, mais ou menos, quando soube que já tinha dois filhos e trabalhava como professor.

Infelizmente, nossa "Aranha de Marte", não saiu de sua teia, na Vila Pompeia...


Continua...

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