quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Autobiografia na Musica - Língua de Trapo - Capítulo 36 - Por Luiz Domingues


O show começava com o Marcelo fazendo locuções, ainda com o público entrando, e se acomodando nos assentos do teatro.
 
Com humor e soltando brincadeiras de improviso, já arrancava as primeiras risadas.

Quando as luzes se apagavam, iniciava-se a exibição do filme super-8, comandado pelo cineasta Louis Chilson.

As pessoas já se matavam de rir com as cenas nonsense nele contidos, com os membros da banda, menos eu (já expliquei o porque da minha ausência), e alguns atores convidados. O público já morria de rir.

Enquanto estava na metade da exibição, já entrávamos no palco e nos posicionávamos, pois assim que terminava, tocávamos a primeira música do show.

O Laert e o Pituco nem começavam a cantar e as pessoas já estavam às gargalhadas, pois nós entrávamos usando um ridículo uniforme.
Com terno verde e amarelo, parecíamos "Brasilinos".

E a primeira canção era "Pensamento Positivo", uma sátira à literatura de autoajuda. E notem que em 1983, essa literatura nem tinha essa denominação, e prateleiras exclusivas nas livrarias...

Portanto, é citada a revista "Acendedor", uma publicação de pensamentos edificantes e positivos, que era/é difundida pela seita oriental "Seicho-no-iê". 

Após o término dessa canção, uma nova inserção de super-8 nos permitia sair de cena, onde nos livrávamos do ridículo terno, e voltávamos todos de branco, como verdadeiros "pais de santo". 

Com essa roupa neutra, passávamos o restante do show com a possibilidade de pequenas trocas menos radicais, facilitando o entra-e-sai do palco.

Tocávamos então "Je suis Bresilien". Nessa canção que tinha típica sonoridade de música francesa, a letra era absurda, satirizando a vida de um brasileiro que vive em Paris, "trabalhando" como travesti nas ruas.
Essa foto é um "still" de uma apresentação do Língua de Trapo na TV, onde o vocalista Pituco Freitas interpretava o Travesti bresilien, nas ruas de Paris...

O João Lucas que tocava acordeon bem, pilotava-o, tirando uma sonoridade bem francesa, e usando adereços como boina e colete, ficando mesmo com jeito de músico parisiense. 

Os demais permaneciam com o mesmo traje todo branco, e o Naminha, baterista, também colocava uma boina e usava uma piteira enorme.
Continua...

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