segunda-feira, 15 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Electric Funeral) - Capítulo 50 - Por Luiz Domingues

Feitos esses dois ensaios, fomos tocar no Black Jack Bar, em duas datas : 13 e 14 de julho de 1990, com respectivos 250 e 200 pagantes.

Considerando que o espaço físico do Bar Black Jack, era muito pequeno, esse foi um excelente público. 

Os shows foram bastante energéticos, arrancando urros dos apreciadores do Black Sabbath, ali presentes. 

Lembro-me de bem na minha frente, estar observando atentamente a minha digitação, a baixista Mila, da banda feminina, Vulcanas. 

O Vitão mandou fazer duas enormes cruzes prateadas, e as colocou atrás da banda, como cenário, e todos tocaram usando roupas pretas. 

O Hélcio sempre carregava no visual, e usava coletes de franjinha, semelhantes aos usados pelo Tony Iommi etc.

E o Chris que tinha (tem), um inglês britânico perfeito e sem sotaque, cantava e desempenhava à perfeição as canções do BS.
Tocar cover é algo desagradável para mim, desde sempre, mas não vou dizer que não me diverti, pois mesmo o Black Sabbath não sendo minha banda de cabeceira, é claro que a maioria daquelas canções tinha significado afetivo para mim, remetendo-me à minha adolescência, nos anos setenta etc e tal.

Tocamos num volume muito alto, e convenhamos, aquele repertório do Black Sabbath não combina com dinâmicas comedidas.

Saí "morto" do palco nas duas noites, pois a energia foi intensa, e o calor com o bar abarrotado, muito grande, mesmo sendo em julho. 
E tocar aqueles fraseados do Geezer Butler, não era tarefa fácil. 

Ele é um excelente baixista, e suas linhas embora não muito citadas, são requintadas, com influências jazzísticas muito bem delineadas.

Claro, me reservei o direito de improvisar, pois tocar reproduzindo nota por nota do disco, não é a minha. 


Toquei as partes essenciais para não descaracterizar as músicas e frustrar ouvintes fanáticos, mas coloquei minha criação em doses generosas, sem a qual me frustraria completamente, me sentindo um mero papagaio de repetição.

Os dois shows renderam um razoável cachet, mas não haviam novas datas em curto prazo. 


O próximo show, só em abril de 1991 !

 Continua...

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