quarta-feira, 10 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 28 - Por Luiz Domingues

Após essa pausa do Terra no Asfalto, as atividades ficaram paradas. 

Eu estava fazendo vários trabalhos (já relatei alguns desse período, no capítulo "Trabalhos Avulsos"), e tocando no pré-Língua de Trapo, onde as coisas pareciam estar melhorando.

Então, meu contato com o Terra no Asfalto se resumia a ver o Paulo Eugênio; Gereba, e Wilson, os últimos que sobraram dos escombros da banda, esporadicamente, e com o Paulo tentando articular uma volta.

O Luis Bola se desinteressou de vez, vendo que as coisas estavam bem devagar, e eu estava cheio de outras atividades, em outros trabalhos. 

Então, lembro-me apenas de irmos juntos ver a peça Calabar no Teatro São Pedro, além de termos ido assistir o filme "The Rose" no cinema (e como não sair da sala de cinema com vontade de ter uma banda de Rock de verdade ??).

Além disso, o Paulo Eugênio me levou uma vez na casa de um professor de canto, onde ele estava fazendo aulas.

O professor já era idoso naquela época, e sinceramente não me lembro de seu nome. Lembro que falava com forte sotaque estrangeiro, e era de um país do leste europeu, talvez a Tchecoslováquia (no tempo que esse país era unido, pois já faz um tempo, se dividiu entre República Tcheca e Eslováquia).

O que marcou, foi que era um velhinho muito louco, pois seus métodos não eram nada ortodoxos...

Entre outras coisas, fazia seus alunos se deitarem numa cova de terra que tinha no fundo do quintal de sua casa, e onde ele jogava a terra com a pá, praticamente enterrando-os. 

Só com a cabeça e os braços de fora e totalmente cobertos de terra, tinham que repetir os exercícios vocais por ele propostos, e de fato, o esforço para cantar era tremendo, com o peito enterrado, dificultando a respiração, e com o diafragma comprimido.

Uma vez me perguntou, fulminando-me : "Por que o contrabaixo ?" Fiquei com vergonha de lhe dizer que o baixo foi meramente casual na minha vida, e lhe respondi que gostava das notas graves... 


Meia verdade, pois gosto das médias e agudas também...

Lembro-me que esse senhor morava numa casa, na Rua Cônego Eugênio Leite, no bairro de Pinheiros, zona oeste de São Paulo. 

 
Continua...

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