sábado, 27 de julho de 2013

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 34 - Por Luiz Domingues

E antes que eu prossiga, preciso salientar que nem tive tempo para dimensionar o que eu sentia ao estar no palco com meu velho amigo Laert novamente, pois a adrenalina daquele dia foi enorme, por todos os motivos que já expus.

O que foi notória, era a mudança da água para o vinho que o Língua de Trapo havia tido. 


Quando eu saí no início de 1981, a banda fazia pequenas apresentações sem estrutura, ou no máximo, participando como concorrente em festivais.

Agora, estava no Tuca lotado, cheio de fãs do trabalho, jornalistas etc. Teve "barulho" na mídia sobre o show etc etc.

Era uma diferença brutal, e num curto espaço de tempo.
Em relação à apreensão gerada, sim, claro que havia tensão. Era uma situação que suscitava melindres por todos os lados, e tudo girando em torno de mim, infelizmente. Eu precisava estar atuando nas duas bandas simultaneamente naquela época, e é claro que isso provocava indisposições entre todos .

Fora isso, realmente, haviam boatos de que o regime militar não estava contente com a reinauguração do TUCA. E o Língua de Trapo não despertava nenhuma simpatia dessa gente do "direita, volver..." 
Quando cheguei ao camarim do Tuca, estava atrasado, e logo na estreia...claro que não brigaram diretamente comigo, mas dava para sentir no ar a desaprovação geral. 

E nesse caso, eles tinham razão, assim como os companheiros da Chave do Sol, que também se incomodaram com os transtorno que lhes causei, tendo que pedir à direção do programa "A Fábrica do Som ", para A Chave do Sol se apresentar antes, e sair correndo como um louco...

Quanto ao trajeto, até que foi tranquilo, porque era feriado de 15 de novembro. A cidade estava vazia, e essa foi a minha sorte.

Sinceramente não me lembro de quanto tempo demoramos para chegar. Acredito que foi menos de meia hora, e o grande problema foi mesmo ter saído atrasado do Circo Anhembi.
Continua...

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