domingo, 2 de junho de 2013

Autobiografia na Música - Trabalhos Avulsos (Lily Alcalay) - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues


Então, vou identificar esse músico apenas pela inicial, pois internet é pública, e não pretendo constrangê-lo, ainda que os fatos que conto, sejam verdadeiros, e nesta altura, remotos.

Esse músico, chamado "J", era um guitarrista de sólida formação jazzística. Como era filho de um casal de professores de música, e donos de um conservatório musical tradicional na zona oeste de São Paulo, "J" estudou com afinco desde a infância, e em 1982, na faixa de vinte anos de idade, tocava guitarra com um técnica muito grande, e conhecimento teórico/harmônico para dar e vender.

Com ele, o som crescia muito, pois inseria acordes complementares, enriquecendo ainda mais a já sofisticada harmonização de Lily Alcalay, fora solos e contra-solos, desenhos etc.

Ele tocava com uma bela guitarra Gibson ES-335, bem adequada para esse espectro de intervenções jazzísticas.

Nos ensaios, desempenhava com extrema desenvoltura todos os arranjos que criou, mas havia um componente de ordem psicológica, com o qual não contávamos : ele sofria de "Stage Fright", ou seja, tinha medo de subir ao palco, e se apresentar ao vivo perante público.

Não sabíamos disso em princípio, claro. 


Nem a Lily que o conhecia anteriormente, e o convidou. Mas à medida que a data foi se aproximando, vimos que seu comportamento foi mudando.
E quando chegou a semana do show, ele estava apavorado praticamente, e dando mil desculpas esfarrapadas, queria adiar a apresentação, o que obviamente a Lily se recusou a fazer.

Então, às vésperas, e sem a possibilidade de arrumarmos substituto em tempo hábil, decidimos tocar em trio mesmo, empobrecendo bastante o trabalho dela.

Um novo show estava marcado para alguns dias depois, e num teatro maior. 

A Lily o intimou a participar, sob risco de ser retirado da banda.

Para amenizar, ele trouxe um quarto componente para somar, um saxofonista chamado Anselmo, que era altíssimo em estatura, e jogava basquete no clube Sírio-Libanês.



Então, chegou a data desse segundo show, e o guitarrista "J", tocou, mas não sei dizer se foi pior o conserto (com "S", mesmo ), que o soneto...

Continua...

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