terça-feira, 30 de abril de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu/Bourréebach - Capítulo 58 - Por Luiz Domingues

E sou muito grato aos companheiros dessa primeira etapa da minha jornada musical...
 
Hora de agradecer a cada personagem dessa etapa inicial da minha trajetória  musical. Começo falando dos que tiveram participação menor na banda.

Bernardão "Janjão"

Bernardo Lopes de Almeida (vulgo "Bernardão" ou "Janjão)", foi o terceiro membro do grupo, além de Osvaldo e eu, Luiz Domingues.
Convivemos desde 1974, como colegas de escola, e também dividimos sonhos rockers.

Ouvindo os discos do Deep Purple, Nektar e tantas outras bandas que curtíamos. Fora Mutantes, cujo LP "Tudo Foi Feito pelo Sol", sabia de cor e salteado. Fomos juntos ver o show do Rick Wakeman, em 1975...

Sobre o Bernardo, perdi o contato desde que saiu do Boca do Céu, em 1976. Espero que esteja bem ! 

 
Edson Coronato


Edson Coronato, a quem apelidávamos de Edson "Coverdale", embora gostasse mais do Ian Gillan...
Sujeito 100% bacana, e certamente o melhor centroavante de nossa escola.

Edson Coronato encontrou-me um dia nos anos oitenta, andando nas proximidades da Av. Santo Amaro, zona sul de São Paulo.
Acho que foi em 1988, mais ou menos, quando eu estava na continuidade da Chave, sem Sol...


Em 2006, eu ainda não acessava a internet, e fiquei sabendo que ele mandou um depoimento bacana, relatando ter me visto em ação com o Pedra, abrindo o Uriah Heep, no Via Funchal em São Paulo, através do site da banda. Mas apesar de eu ter respondido rápido, ninguém ajudou-me de imediato, e a resposta demorou tanto a ser digitalizada e enviada, que ele deve ter ficado bravo comigo, pois não respondeu-me.

Se estiver lendo este relato, ficam aqui as minhas sinceras desculpas, e esteja convidado a adicionar-me em qualquer rede social onde eu esteja !!

Vamos relembrar os bons tempos da nossa escola; nosso time de futebol, o "Universal", e nossa paixão pelo Rock. 


Pollyana

Pollyana e sua irmã, cujo sobrenome esqueci-me. E por que não, sua abnegada família, que era entusiasmada pela música.

Foi curta a sua participação, mas teve sua parcela de ajuda, também. Nunca mais tive notícias dela e de sua irmã, desde 1978, mas o Laert me disse em 2011, que ela e a irmã, eram suas amigas na extinta Rede Social Orkut. 


Eva

Quanto à outra vocalista, Eva (outro caso lamentável para a narrativa, onde não me recordo do sobrenome), também perdi o contato faz anos.

A última vez que a vi, foi num ensaio do Língua de Trapo em 1982, na casa dos irmãos Luis "Risada" e João Lucas, na Vila Olímpia, zona sul de São Paulo.


Zé Claudio

O baterista Zé Claudio, tocou anos depois no Violeta de Outono.

Encontrei com ele no meio/fim dos anos oitenta, e fiquei contente por vê-lo numa banda de renome.

Curiosamente, um outro baterista de estreita relação profissional comigo, José Luiz Dinola (meu companheiro de A Chave do Sol; Sidharta, e alguns trabalhos avulsos, e tudo isso está amplamente relatado também em seus respectivos capítulos desta autobiografia), tornou-se baterista oficial do Violeta de Outono, reforçando o elo de árvore genealógica em comum que estabeleci com o grande Fábio Golfetti.

 
Paulo Estevam Andrade

O guitarrista Paulo Estevam Andrade, popular "Tevão", também teve passagem curtíssima, e logo depois da criação do "Grupo de Poesia e Música" da Faculdade Cásper Líbero, perdi o contato, também.

Não sabia de nada sobre ele, desde 1979, mas em 2013, retomamos contato via Facebook, e soube que nesses anos todos, foi morar em Marília, no interior de São Paulo e lá estabeleceu-se como professor.


Cido Trindade
 
E vale lembrar também de Cido Trindade, que nunca foi membro da banda, mas acompanhou seus passos, e chegou a fazer um show ao vivo, como convidado especial, num momento de reformulação em 1978, e relatado em capítulo anterior.

Falando agora do núcleo mais sólido do Boca do Céu :

Wilton Rentero

Wilton Carlos Rentero a quem quero agradecer pelo companheirismo; impulso técnico e confiança que transmitiu à banda nos meses em que tocou conosco em 1977.

Não o vejo desde 1978, quando ele saiu da banda alegando que iria se dedicar ao estudo de violão erudito.


Soube pelo Laert, que apareceu num show do Língua de Trapo em Guarulhos, onde mora e trabalha como professor na Universidade de Guarulhos. Graduou-se em letras, com várias especializações; escreveu muitos livros acadêmicos e é bem atuante no sindicato da sua categoria.

Fica aqui uma menção ao primo dele, que se chamava Sidney, e que deu muito apoio ao Boca do Céu. Além de ser uma referência para nós, por ser mais velho e hippie de carteirinha, com uma bela coleção de discos. Saudade das visitas que fazíamos à casa dele no bairro da Casa Verde, zona norte de São Paulo, onde varamos madrugadas ouvindo sons incríveis na vitrola "Gradiente" (Syd Barrett - Madcap Laughs...).


Fran Sérpico 


Fran Sérpico, que apesar de não ter sido o mais tenaz dos membros, teve sua parcela de colaboração, claro. Sua generosidade em transformar sua residência em nossa QG, foi imensa.

E cabe aqui também um agradecimento à sua família, que nos aturou por um bom período, com ensaios semanais barulhentos, com direito a entra-e-sai de convidados etc.

Saudade dos ensaios na casa dele, no bairro do Campo Belo, com direito às idas ao recém inaugurado Shopping Ibirapuera, onde causávamos estranheza pelo nosso visual hippie, contrastando com os playboys do bairro.

Recentemente, retomamos contato com ele, eu e Laert, via Facebook.

Estamos incentivando-o a digitalizar e postar no You Tube, o histórico celuloide de Super-8, onde o Boca do Céu foi filmado em junho de 1977. A qualquer momento, em se confirmando tal postagem, compartilharei, imediatamente.


Sou-lhe grato também, pois prestou um bonito depoimento no Facebook, falando do Boca do Céu, e enaltecendo o Laert e eu, por termos nos profissionalizado, e construído uma carreira artística.

Laert "Sarrumor" Julio

Laert Júlio Pedro Jesus Falci...nome de imperador do século XIX, com essa profusão toda.

Talento; criatividade; garra; poder de organização; empreendedor, visionário...
Com o Laert, saímos do patamar de uma banda sem condições mínimas nem para ensaiar, para algo palpável, fazendo planos de expansão etc.

Laert Sarrumor se tornou anos depois, conhecido pelo Língua de Trapo, mas também pela carreira de ator (já atuou no cinema várias vezes); apresentador de TV; dublador do Topo Gigio (versão anos 1980); escritor de livros best Seller; redator de humor; radialista (está desde 1983 com o Rádio Matraca no ar, na USP FM); cartunista; ilustrador; garoto propaganda em comercias de TV...

O Boca do Céu é o embrião mais remoto do Língua de Trapo e ele sabe disso.

Como sabem, eu toquei no Língua de Trapo desde a fundação, até 1981 e depois no período 1983/1984.

Tenho contato permanente com o Laert.

E vale relembrar a Dona Olga, sua mãe. Figura sempre presente na vida do Boca do Céu. 


Osvaldo Vicino 



O responsável pela pedra fundamental da fundação da banda e a quem quero agradecer efusivamente, é Osvaldo Vicino, meu colega da 8ª série, que fez o convite para formarmos uma banda de Rock, em abril de 1976.

Foi ele também que teve a paciência de esperar eu aprender o "be-a-bá" da teoria musical, e adestramento inicial ao baixo.

Seu segundo impulso para me ajudar, foi tentar adaptar uma guitarra Giannini velha que ele possuía, como baixo, e santa ingenuidade, claro que não deu certo...
 

Depois, viu um baixo usado, e handmade numa loja de instrumentos velhos e baratos. Era um baixo "imitação" de Hofner, meu primeiro instrumento.Ele só afinava com o uso de um alicate, pois as tarraxas estavam  emperradas; era grosseiro no seu acabamento, e tinha captadores horríveis, mas foi o meu primeiro baixo.

Adoraria tê-lo comigo hoje, como memorabilia, pois não dá para tocar com um negócio daqueles, mas que importância teria para mim, se estivesse comigo...

Pois tenho essa dívida moral com Osvaldo Vicino, porque foi efetivamente o amigo que abriu-me as portas para a música de uma forma concreta, além dos devaneios que tinha até então, antes de ter aceito o seu convite, para entrar numa banda "real", num dia de abril de 1976...

Com o Osvaldo, eu retomei contato pela rede social Orkut em 2010.

Ele viveu no Nordeste há muitos anos, tendo morado em Fortaleza e agora está no Recife. Tem três filhos, trabalhou em vários hospitais como administrador, e nunca deixou de tocar, apesar de eu ter pensado isso, quando ele saiu da banda.

Quando retomamos o contato pelo Orkut, fiquei muito contente por saber que ele não parou, e teve por anos, uma banda cover do Whitesnake, chamada "Snakebite".


Em 2015, voltou a morar em São Paulo e participou da festa de aniversário do Laert, em maio, ocasião em que infelizmente não pude comparecer por estar adoentado na ocasião.
Mas em agosto, foi me ver tocando com a Magnólia Blues Band e conversamos bastante sobre os velhos tempos.

Eis abaixo, duas fotos a registrar esse reencontro de 2015, com clicks de Lara Pap :







Este capítulo de minha trajetória musical está encerrado.

Contudo, se surgirem adendos, tanto como material inédito, ou fatos não mencionados anteriormente, e lembrados posteriormente, acrescento de pronto, abrindo um novo capítulo, ou estabelecendo correções nos capítulos já escritos.

Muito grato por ler esse capítulo inicial de meu relato, amigo leitor, dividido em 6 capítulos, sobre a minha primeira banda, formada em 1976. 


Orgulho-me de ter sido o baixista do Boca do Céu / Bourréebach, entre 1976 e 1979 !! 

Daqui em diante, a autobiografia segue com os capítulos da história do Língua de Trapo. 

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