terça-feira, 30 de abril de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu/Bourreèbach - Capítulo 56 - Por Luiz Domingues


O Bourrèbach viveu seus últimos suspiros nos quatro primeiros meses de 1979.

Com a saída do Osvaldo Vicino, muito da inocência inicial do Boca do Céu se foi, naturalmente, pois estávamos mais amadurecidos. 

O Laert conheceu um colega músico na Faculdade, logo nos seus primeiros dias, chamado Paulo Estevam. Era guitarrista, mas vivia aquela crise de identidade típica que acometeu à (quase) todos no final daquela década, negando o Rock e se bandeando para a MPB. 
Ele se interessou em conhecer o trabalho da nossa banda e chegou a ensaiar conosco algumas vezes.

Lembro-me que tinha uma guitarra Ookpik, imitação de Gibson SG, de cor branca. Ele tocava bem e parecia que se encaixaria nessa nova formação da banda. Por incrível que pareça, o baterista Zé Claudio também estava ficando e a banda dava esperanças de continuidade, com essa nova formação. 

Contudo, o Laert estava cada vez mais empolgado com os colegas que havia conhecido recentemente por conta de sua entrada na faculdade.
Ali nos corredores da Faculdade Cásper Líbero de jornalismo, conhecera Guca Mastrodomenico, Carlos Mello, Pituco Freitas, Paulo Elias, Dico, Paulo Estevam, Saulo entre outros e a conversa girando em torno de música, poesia, quadrinhos, cinema e tudo amalgamado pela política, estava lhe fazendo a cabeça, fortemente. 

Com as coisas andando devagar para o Bourrébach, era natural que estivesse cada dia mais focado nesse novo ambiente e assim que surgiu a ideia de realizar um sarau literário/musical na própria faculdade, empolgou-se e praticamente aí, tirou o seu pé do acelerador do Bourrébach. 
Então, após alguns ensaios, a banda desmilinguiu-se. Apesar de ter sido um final melancólico, com a banda sendo vencida por inanição, praticamente, não fiquei triste na hora, tampouco fui acometido de sentimento de perda ou lamento. 

Simplesmente aceitei a absoluta falta de forças para prosseguir, mas convicto de que aquilo em nada mudaria a minha trajetória na música. Eu estava naquela altura, muito mais seguro, tendo vencido a etapa inicial e terrível do aprendizado musical.

Estava progredindo, tocando cada vez melhor e me sentia pronto para abraçar outras oportunidades. Dessa forma, o fim da banda não me causou melancolia ou insegurança alguma.
Vendo hoje em dia,  sinto até uma ponta de orgulho por ter sido maduro o suficiente, apesar de  meus 19 anos incompletos, para superar essa perda e ter tido a coragem para seguir em frente. 

E por outro lado, ao relembrar isso,  tenho um carinho muito grande pelo Boca do Céu/Bourrèbach. Foi com essa banda de garagem que transmutei um sonho impossível em realidade, fazendo a transição do onírico à matéria.

Responsável pelo impulso inicial, que tirou-me do sonho à realidade, teve papel fundamental nessa transição. Tenho muita saudade desse tempo, principalmente os primeiros tempos, entre 1976 e 1977, onde a força de vontade era o motor que manteve-me nessa senda.

Bem, estou na reta final deste capítulo de minha trajetória musical, fazendo as últimas considerações.

Continua...

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