quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu/Bourrèbach - Capítulo 47 - Por Luiz Domingues


Por outro lado, se o panorama da banda era de incertezas, uma questão muito significativa nesse início de 1978, foi que eu havia notado ter deixado para trás o espectro incômodo de ser um iniciante incrivelmente limitado. Eu havia enfim rompido essa barreira terrível de um reles iniciante e sentia-me muito mais seguro como baixista. Nessa altura, já havia tirado diversas músicas de discos que apreciava. Já tocava em cima de discos do “Led Zeppelin”; “Deep Purple”; “Focus”; “Allman Brothers”, e diversas outras bandas, o que realmente configurava que havia melhorado muito. E posso afirmar o mesmo do Osvaldo Vicino. Ele que no início era o melhor e mais experiente músico da banda, também mostrava evolução, mas sutilmente estava começando a demonstrar também, sinais de afastamento (um triste paradoxo...), conforme relatarei logo mais.
Aproveitando essa reformulação na banda, estávamos preparando novas músicas, e sabíamos que se aparecesse uma oportunidade de tocar ao vivo, poderíamos contar com o baterista Cido Trindade, meu amigo de bairro. Ele havia colocado-se à disposição, pois tinha notado que evoluíramos e estávamos num estágio mais compatível com o dele, que era mais experiente àquela altura. E resolvemos dar uma cartada diferente para o futuro da banda. Por sugestão do Laert, passamos a procurar por vocalistas femininas. A ideia era o Laert assumir mais os teclados, cantando menos músicas e deixar uma mulher como principal vocalista e consequentemente, “frontwoman”. Essa era uma obsessão do Laert que era (é) apaixonado pela Janis Joplin. Então, colocamos anúncios em revistas da época ("Rock, a História e a Glória"; "Pop", e "Música"), e começamos a receber cartinhas de candidatas.
O Laert também fez um cartaz com seus traços de cartoon característicos, e espalhou-os em alguns pontos interessantes, como alguns cafés “transados” (gíria da época...), certos murais da USP etc. 
E aí, surgiu uma oportunidade para um show, que foi marcado para junho de 1978. Mesmo indefinidos em relação à uma garota para entrar na banda, aceitamos o desafio e convocamos o Cido Trindade para tocar conosco.


 Continua...

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