quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu/Bourrébach - Capítulo 48 - Por Luiz Domingues


Esse show foi arrumado pelo Laert, que encaixou a banda para tocar durante um bingo, a ser realizado no pátio do colégio onde ele estudava à época, o Colégio Claretiano, instituição de padres católicos, localizado no bairro de Santa Cecília, próximo ao centro de São Paulo. Claro que animamo-nos, e passamos a ensaiar diante dessa perspectiva. O baterista Cido Trindade aceitou o nosso convite, passando a ensaiar conosco regularmente. Nessa nova fase, voltamos a ensaiar na minha casa, mas desta vez tomando o cuidado de não fazer do ensaio, um ponto de reuniões freaks, como acontecera em 1977. O Laert havia fechado com a ideia de tocar teclados o tempo todo, mas sem instrumento, limitava-se a participar cantando nos ensaios e estudava piano isoladamente, preparando-se individualmente. Era o que tínhamos...
Ele estudava piano na casa de meus tios, próximo à minha casa (aliás, um gentil oferecimento de meus tios e incentivado pelos meus primos Marco Antonio; José Rubens; Mara e Alcione Turci, que haviam simpatizado com ele, indo além do fato de apoiarem-me simplesmente como primo), e também numa loja da Yamaha em Pinheiros, zona oeste de São Paulo, onde usava um órgão, adaptando-se. Claro que não era o ideal. O sonho era ter um Hammond com caixa Leslie, próprio, mais um Fender Rhodes (piano elétrico). Mas a realidade era outra, infelizmente.
O Cido Trindade tinha um nível técnico infinitamente superior ao do Fran Sérpico que nunca ultrapassou a barreira de iniciante. Com o Cido na banda, o som cresceu, claro, e ele também reconhecia que havíamos melhorado.
Dessa forma, preparamo-nos até a data marcada : 17 de junho de 1978, um sábado gelado, de fim de outono. Fomos para o show bem ensaiados e confiantes. O Laert novamente desembolsou um bom dinheiro, alugou um órgão Yamaha desta vez, e o acordo com o colégio Claretiano, previa que eles providenciassem um P.A. e dois amplificadores, de guitarra e baixo.
Chegamos ao colégio no horário marcado, mas o amadorismo era total, pois o equipamento previsto, simplesmente não estava lá. As horas foram passando e só víamos funcionários do colégio arrumando as mesas para o bingo, fazendo ações de faxina e preparando o globo das bolinhas...
O equipamento havia sido alugado de uma banda de bailes, e chegou só às nove da noite.

Continua...

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