quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Autobiografia na Música - Boca do Céu/Bourrébach - Capítulo 46 - Por Luiz Domingues


Não deu outra... poucos dias após o show "Fran's Birthday II", o Wilton Rentero procurou-nos, e comunicou sua decisão de sair da banda. Sua justificativa era a de que seu caminho era o do violão clássico, e que havia tomado a decisão de estudar com afinco, dali em diante.
Ficamos muito chateados, pois ele era o melhor músico da banda, e sua presença encorpava o nosso som. Mas fazer o quê ?
Não podíamos contra-argumentar, pois não tínhamos nenhum poder de barganha. Não haviam perspectivas melhores do que festivais colegiais, e shows de pequeno porte. E nossa melhora técnica era lenta. Então, voltando a ser um quarteto, resolvemos aproveitar a deixa e dar um ultimatum ao baterista Fran Sérpico : ou entrava numa escola de música e começava e estudar, ou teria que sair da banda, pois estávamos cansados de vê-lo sem evolução visível, ficando atrás dos demais, e certamente prejudicando a evolução da banda. Ele sentiu-se pressionado certamente e alguns dias depois, fez a sua escolha, deixando a banda e justificando a sua decisão pelo fato de estar sem tempo para estudar o instrumento, devido aos estudos formais, e que realmente estava determinado a entrar numa faculdade e estudar com afinco. Bem, situação chata, mas foi melhor para ambos, Fran e banda, certamente, pois a despeito dele ser muito gente boa, chegáramos num ponto crucial onde havia a necessidade de tomar-se resoluções de vida, cada um ali envolvido e não dava para levar mais a banda como uma atividade secundária / recreativa doravante. Reduzidos a um trio, combinamos continuar firmes no propósito, eu; Osvaldo Vicino e Laert Júlio, futuro “Sarrumor”... o Osvaldo aproveitou para reafirmar que não gostaria de ter um segundo guitarrista na banda e que queria ser o lead guitar, como nos primórdios. Então, com o Laert determinado a assumir-se como tecladista, achávamos que estaríamos supridos harmonicamente, portanto, a nossa decisão naquele momento, de fevereiro de 1978, era a de encontrar um novo baterista, e tocar a vida para frente.
Começamos a procurar então, e ao mesmo tempo, mantínhamos ensaios improvisados entre os três, e atentos às oportunidades para inscrever a banda em festivais. E assim foi nos meses de março; abril, e maio de 1978. Uma luz no final do túnel, só apareceu em junho. 



Continua...

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