terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 12 - Por Luiz Domingues

Claro que ele (Laert), tentou demover-me de minha decisão. O chato, foi todos os seus argumentos coincidiram exatamente com o que eu pensava também. Chegou-se em um ponto onde não adiantava falar, só lamentar. Como já disse anteriormente, eu saí por necessidade financeira, contudo, embora gostasse e acreditasse que o trabalho lograria êxito, estava sob pressão familiar, e urgia ganhar dinheiro.


Se foi amistoso ? Sim, mas claro que nenhuma separação, por mais amistosa que seja, é agradável. E ficou acertado que eu faria mais uma apresentação com a banda. Não seria um show, propriamente dito, por isso eu considero aquele show no bar 790, em novembro de 1980, como último, nesse formato. Mas a última subida ao palco, foi para defender duas músicas em um festival Universitário, realizado em janeiro de 1981.
O palco foi nobre, o Palácio das Convenções do Anhembi, onde grandes artistas apresentavam-se regularmente. Foi o fim dessa minha primeira etapa com o Língua de Trapo, pois a história continuaria depois, com a minha volta, em outubro de 1983 e aí, tenho inúmeras histórias, com o Língua sob uma situação completamente diferente e frenética, chego lá, logo mais nesta narrativa. O clima dessa saída em 1981, foi chato, claro. Nesse momento eu estava já a atuar novamente com a banda cover, "Terra no Asfalto". Participar do festival foi um melancólico final que deixou-me mal, mas fazer o quê, não é ?
Assim, no dia 19 de janeiro de 1981, subi no palco do Palácio das Convenções do Anhembi, um palco histórico e elegante cidade de São Paulo, por sinal (Alice Cooper; Elis Regina; Festival Phono 73; Doces Bárbaros, Festival de Jazz de 1978...).

Defendemos as músicas "Tragédia Gramatical" e "Circular 46", com o Língua de Trapo, e a contar também com alguns músicos convidados.

A formação do Língua nessa noite, foi a seguinte :

Laert Sarrumor - Vocal
Pituco -Vocal
Lizoel Costa - Violão
Guca Domenico - Cavaquinho

Luiz Domingues - Baixo
Carlos Mello - Vocal e imitações
Fernando Marconi - Pandeiro
Celso Mojola - Teclados
 

Como músicos convidados, estiveram conosco :
Armando Tibério - Bateria
Gilles - Clarinete
André - Flauta Transversal


Lembro-me que não havia muito público presente, apesar de ser um festival badalado, e realizado em um teatro nobre da cidade. Os shows do Festival foram realizados pelo Made in Brazil, e a cantora Silvinha, ex-Jovem Guarda.
Assisti a ambos da coxia do teatro. O da Silvinha foi incrível, pois sua voz era de arrepiar. Ela cantou uma versão de "Lady Madonna", dos Beatles, onde deu um show de malabarismo vocal.
                                   Ayrton Mugnaini Jr.

E assim, toquei e despedi-me do Língua de Trapo. A música "Tragédia Gramatical", foi classificada, mas aí o Ayrton Mugnaini Jr. assumiu o posto interinamente, e participou da final do festival, pois uma grande reformulação aconteceu após a minha saída. Soube que o guitarrista carioca, Sergio Gama, entrou na banda, e uma nova cozinha foi instalada, com Luiz Lucas no baixo e Ademir Urbina, na bateria (esse último, baterista da banda de covers, "Áries", famosa na noite paulistana e concorrente do Terra no Asfalto, no mesmo circuito de casas noturnas). Nos teclados, saiu, Celso Mojola e entrou João Lucas, irmão do baixista Luiz Lucas.
Com essa nova formação e Fernando Marconi a fixar-se na percussão, o Língua começou sua trajetória meteórica de ascensão. Assisti de longe o sucesso deles, e sem saber que reencontrar-nos-íamos em setembro de 1983...

Continua...

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