quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Pedra na Rádio CBN neste sábado, 1° de dezembro de 2012, às 21:30 h.


Sábado, 01/12 das 21:30 às 22:30 com reapresentação na madrugada de domingo para segunda feira às 01:30 hs.:


O Pedra estará na Rádio CBN, no programa "Sala de Música", apresentado por João Carlos Santana.

Luiz Domingues e Xando Zupo participarão falando sobre o retorno do Pedra às atividades, shows, novo álbum e claro, música. 


CBN - SP 90,5 FM - 780 AM

http://cbn.globoradio.globo.com/home/HOME.htm
http://cbn.globoradio.globo.com/programas/sala-de-musica/SALA-DE-MUSICA.htm

terça-feira, 27 de novembro de 2012

General Grant e o Whisky - Por Juma Durski

O General Grant assumiu alguns exércitos durante a guerra da secessão americana, quando essa já havia iniciado há tempos.

Ao finalizar a guerra, Grant escreveu os termos da rendição ao General Lee, lhe dizendo que a pedido do Presidente Lincoln, não haveria humilhações aos derrotados, e cada soldado poderia pegar um cavalo e voltar às suas casas e lides no campo.
Isso foi num domingo de ramos, numa pequena aldeia da Virginia, chamada Appomattox.

Porém, antes disso, os Generais aliados de Lincoln, tinha inveja de Grant, e falaram ao Presidente: Grant bebe whisky
 todos os dias, é praticamente um bêbado.

E Lincoln respondeu: Qual a marca que ele bebe? Quero lhe enviar um barril, pois ele não perde uma batalha e vocês raramente ganham uma.



Juma Durski é colaborador do Blog Luiz Domingues 2. Nesta ligeira crônica, nos contou um episódio verdadeiro e que foi determinante para o desfecho da guerra da secessão dos Estados Unidos (ocorrida entre 1861 e 1865).

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 29 - Por Luiz Domingues

Peço perdão ao leitor, mas vou retroceder um pouco na cronologia, pois esqueci de mencionar o "Festival Balanço", da TV Bandeirantes de São Paulo, realizado em 1977, mas no mês de maio.

"Balanço" era um programa da TV Bandeirantes de São Paulo, que seguia mais ou menos a linha dos programas "Sábado Som" e "Rock Concert", que foram exibidos na TV Globo na primeira metade daquela década (o "Rock Concert" ainda existia em 1977).




E para comemorar o aniversário do "Balanço", foi feito um festival ao melhor estilo das maratonas de Rock setentistas, no Teatro Bandeirantes.

Lembro-me que fui com o Laert, Wilton e vários amigos freaks do meu bairro. Chegamos ao Teatro Bandeirantes ainda sob a luz do dia, e já estava completamente lotado. Assistimos inicialmente sentados no chão, bem próximos ao palco.

Das várias atrações, curti demais o Papa Poluição, Bendegó e Jorge Mautner, entre as atrações mais "leves" da noite.
O Mautner fez um grande show. 

Era ele acompanhado apenas do violão de Nelson Jacobina e vez por outra fazendo pequenos solos de violino, mas os freaks adoravam a sua performance, cheia de energia e estímulos intelectuais em suas falas.
O Som Nosso de Cada Dia foi impecável. 

Estavam tocando algumas músicas prog tradicionais de seu repertório, e muitos Funks extremamente bem tocados do recém lançado novo disco,"Sábado e Domingo".
O Casa das Máquinas também fez um show muito energético, e a parte tensa ficou por conta de alguém provocar o vocalista Simbas, fazendo-o perder a cabeça ao ameaçar revidar, usando o pedestal do microfone como arma.
Esta foto do Made in Brazil ao vivo, é do Festival Balanço de 1977, que descrevo neste capítulo.        

O Made in Brazil fez um show legal, bem naquela toada do Rock básico, sem maiores requintes. 

Lembro de estarmos eu e o Laert bem na frente do palco e num dado instante, alguém se aproveitar do fato do vocalista Percy Weiss estar com a boca bem aberta, num momento de esforço vocal, e arremessar uma bola de confetes comprimidos, visto que a produção do Made havia jogado do teto, uma chuva desses artefatos anteriormente. 

Ele ficou furioso, tirou o pedestal de lado e soltou um palavrão, xingando o cara fora do microfone, mas todo mundo ouviu ali na frente, tamanho o berro que ele deu.
Lembro também do baixista Tico Terpins, do Joelho de Porco, azucrinando o Oswaldo atrás da coxia e este, mesmo percebendo a provocação, não revidar, continuando a tocar, focando em sua performance.
Esqueci de falar da ótima performance da banda curitibana, A Chave. Gostei bastante do som dos caras que numa primeira impressão, me lembrou o hard-Rock do Budgie.

A Chave foi uma das primeiras bandas da noite. E teve também uma banda de blues-Rock chamada Bagga's Guru, onde tocava o futuro baixista da Patrulha do Espaço, Serginho Santana.

Mundo pequeno, nem o Serginho imaginaria que seria baixista da Patrulha, poucos anos depois, e muito menos eu, que também seria baixista da Patrulha, 22 anos depois dessa noite no Teatro Bandeirantes.
O Joelho de Porco já estava com o argentino Billy Bond (ex-La Pesada), no vocal, e o Billy foi o mestre de cerimônias da noite.

Como mestre de cerimônias, o Billy era ótimo, mas seu sotaque porteño incomodou alguns xenófobos idiotas que o ironizaram, pedindo-lhe para "falar português". Um exagero, pois ele falava bem, só tendo sotaque, o que era compreensível.

Ficamos muito perto do palco (tocaram logo após o Made), e o Laert que era grande admirador da banda, chamou o Tico várias vezes, que o atendia fazendo gracinhas cênicas, bem naquela onda de humor que o caracterizava.
Mais uma ironia do destino, apenas cinco anos depois, o Língua de Trapo estaria gravando o seu primeiro disco no estúdio do Tico Terpins...

Outra boa surpresa, foi o show do Pholhas. 

Aqui cabe explicar melhor. 

É que o Pholhas, era tradicionalmente um conjunto de bailes que ao se aventurar no mundo da música autoral, optou por fazer um som pop quase na limite do brega. Lançaram vários trabalhos na primeira metade da década de setenta, e o público Rocker os desprezava por isso.
Mas em 1977, resolveram lançar um LP de forte apelo progressivo, e foi o que tocaram no Festival, para tentar ganhar o público Rocker.

Infelizmente, o público era irredutível e radical, pois mesmo vendo/ouvindo os caras tocando um prog muito competente, os hostilizou do começo ao final.
Nesse momento eu estava no fundo do teatro, e via freaks indo embora contrariados e xingando a banda, acusando-os de serem bregas "tentando" fazer Rock progressivo etc.

Uma pena, pois eles tocavam muito bem e as músicas daquele disco são excelentes. Eu tenho esse disco e a despeito das letras serem muito fracas, a parte instrumental e vocal é muito boa.

E assim foi o "Festival Balanço" da TV Bandeirantes. Mais uma maratona Rocker, de muitas atrações naqueles saudosos anos setenta.
Continua...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A Espiritualidade Cristã - Por Marcelino Rodriguez

Uma vez li uma coisa muito bonita e muito singela numa biografia do Roberto Carlos.

Ele dizia que "não acha certo as pessoas colocarem
dúvidas com relação a Deus".


Também me incomoda a superficialidade com
que se tratam dessas coisas, principalmente as pessoas com "pendores intelectuais".


Sentem-se superiores a Deus. Perdôo ateísmo até os
vinte e poucos anos, depois disso é bobagem. Não perco tempo com quem não percebeu a única coisa óbvia: Deus.


Aliás, tem gente que pensa que a igreja se resume a missa aos domingos ou a um padre falando sermões.
A Tradição Cristã tem várias práticas de espiritualidade a serem
aplicadas no cotidiano e na transformação da Vida. A reza do terço, a contemplação dos mistérios, a meditação sobre as passagens da Biblía, o jejum, tudo isso são práticas que acompanham a espiritualidade católica, vamos dizer assim.

Ando pesquisando sobre a mística Cristã
tem algum tempo: Santa Tereza D'ávila, os Padres do Deserto, toda essa vertente da prática espiritual e não apenas da formalidade da Igreja.


Acho que meu esforço ainda que mínimo deveria ser seguido. Trazer o Deus de amor, de silêncio e de caridade mais para nosso cotidiano.
O ser humano que não tem Deus como fato é um problema social
de proporções imprevisíveis. Ainda que no deserto, quero estar com Deus, ainda que a propaganda o dê como morto ou exótico.


Um terço custa poucos centavos. Dá uma paz tremenda. Mas o maior pecado humano sempre foi a falta de imaginação.

Direitos Reservados
Marcelino Rodriguez é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Escritor de vasta obra de muito sucesso, aqui nos traz uma crônica com preceitos espiritualistas irrefutáveis.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 28 - Por Luiz Domingues

Foi no ginásio da Portuguesa de Desportos. 

E com aquela atmosfera de anos setenta, maravilhosa, claro.

Logo que entramos no ginásio, encontramos um freak, que era conhecido nosso de tantos outros shows. Não me lembro de seu nome, apenas que era figura "carimbada" em portas de teatros, ginásios e afins.
Ele sacou um caderninho de sua bolsa, e ali estava anotado o possível set list do show que ele deduzia que o Cocker cantaria naquela noite.

Tempos românticos onde se permitia esse exercício de imaginação, pois hoje em dia, bastaria consultar o "Google", e procurar o set list básico da turnê do artista para saber mais ou menos, quais músicas ouviríamos.

Mas, lembro-me que o freak acertou bastante, só faltando "Saint James Infirmary", que ele cravou como certa, mas Cocker não cantou.

A abertura do show foi da banda de baile, "Placa Luminosa".
Tremenda banda formada por músicos de alto nível, mas que não tinha nada a ver com o público de hippies, freaks & rockers alí presente.

Foi uma tremenda mancada da produção, não ter convidado alguma banda de rock autoral, como Mutantes, O Terço ou Rita Lee & Tutti-Frutti.

Os caras tocaram covers variados, indo de Funk à MPB (lembro deles tocando "Meus Caros Amigos", do Chico Buarque).

Como resultado, uma tremenda vaia.
Então o baixista se enervou, e perdendo a cabeça, falou ao microfone : "Vocês querem Rock" ?

O público aumentou a vaia pela atitude, e aí começaram a tocar "The Ocean", do Led Zeppelin. Muito bem tocado por sinal, mas a antipatia estava caracterizada e saíram do palco, sob uma vaia incrível.

Após esse entreveiro, um baita atraso, que irritou muito, mas eram os primeiros shows internacionais no Brasil, que não tinha a estrutura de hoje em dia.


Lembro-me do guitarrista argentino Tony Osanah tentando acalmar os ânimos, dizendo : "Pessoal, o Cocker já está aí..."com aquele sotaque porteño.

Todavia, compensou tudo, quando o Cocker entrou no palco !


Um show matador, do começo ao final, com um Cocker ainda de cabelos longos e visual Woodstockiano.

Era a tour do LP "Jamaica say you will", mas o show foi recheado de clássicos dos primeiros discos.

Com Bob Keys no sax, e Nicky Hopkins no piano, como convidados especiais.


Quando Chris Staiton começou os primeiros acordes de "With a little help from my friends", no órgão Hammond, o ginásio veio abaixo !
Parecia reação de torcedores em estádios de futebol, na hora do gol de seu time, tamanha euforia. 

Vale lembrar que em 1977, ainda vivíamos os ecos de Woodstock, fortemente por aqui. Bateu uma emoção forte nessa hora.

O coração veio à boca, e muita gente chorou de emoção.

Como última lembrança, o cara era "bom" de cerveja, pois durante o show, bebeu sozinho um engradado, que ficou à sua disposição, em cima do praticável da bateria.


Show maravilhoso !

Continua...

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Autobiografia na Música - Terra no Asfalto - Capítulo 5 - Por Luiz Domingues

O que aconteceu, foi que o Sérgio Henriques tinha um nível muito alto como tecladista, e a sorte de ter uma esposa que tinha contatos. 

Sua esposa se chamava Celina e ela era filha do radialista Walter Silva, vulgo "Pica-Pau".

Esse profissional foi muito famoso no meio radiofônico paulistano nas décadas de 50 a 70, principalmente, e conhecia a nata da MPB, fossem artistas, fossem empresários.

E assim, fazendo contatos, indicou o Sérgio para ser segundo tecladista da banda de uma diva da MPB : uma certa Elis Regina...

Dessa maneira, estávamos começando a ensaiar numa terça-feira tórrida de janeiro de 1980, quando vi entrarem dois senhores de terno e gravata no bar Opção.

Não reparei na fisionomia deles, e continuei a tocar. 

Nunca me esqueço, tocávamos "Michelle", dos Beatles quando eu olhei para trás e reconheci um dos senhores : era Cesar Camargo Mariano, marido e tecladista da Elis.
Tremi na base, pois era um músico de nível altíssimo me olhando tocar ali, e eu com minha técnica simplória...

O Sérgio conversou com eles, e cerca de quinze minutos depois, nos comunicou que estava se desligando da banda, pois acabara de assinar contrato para ser segundo tecladista da banda da Elis Regina, na sua nova turnê.

Desejamos boa sorte, claro, ficamos eufóricos com essa oportunidade para ele, e assim ele desmontou seu piano elétrico e se mandou, acompanhando o Cesar, e o outro sujeito, que devia ser um advogado.


Na foto acima, Sérgio Henriques está debruçado sobre o piano acústico, enquanto Mariano toca. Elis ouve, e com mão no bolso, de barba e óculos, está o baixista Luisão. Não identifiquei o rapaz de bigode e camisa branca. 

Acompanhamos de longe a rápida ascensão dele com a Elis. 

Era o show "Saudade do Brasil" onde o Cesar Camargo Mariano montou uma banda enorme, com baixo; bateria; guitarra; dois tecladistas; e naipe de sopros. 

Por isso queria um segundo tecladista, para poder ficar mais nos solos, enquanto o Sérgio seguraria as harmonias.

E recebemos várias notícias dele, doravante. 

Não perdemos o contato, muito pelo contrário, pois no final de 1980, ele teve férias da Elis Regina, e voltou à nossa banda, que vivia outra formação, quando somou muito, com sua técnica refinada.

Nesse mesmo dia, conhecemos o Mu. 

Ele era um cara muito estranho. Parecia um pistoleiro soturno de filmes de Westerns, de poucas palavras. 

Algo como Clint Eastwood ou Lee Van Cleef, chegando numa cidade do velho oeste.

Demonstrando arrogância, mal entrou e com cachimbo na boca, chegou dando ordens. 

O Sérgio e o Paulo Eugênio já o conheciam, e não se espantaram com seu gênio, mas eu, Cido Trindade e Wilson, ficamos atônitos.

Quis ver o Wilson tocar, e não gostou de seus poucos recursos. 

O Gereba não estava, pois pegara o seu cachet da festa na empresa de engenharia, e fora para o nordeste, Rio Grande do Norte, para ser específico, visitar seus familiares.

Foto de um show da turnê de Elis Regina, com o Sérgio ao fundo, tocando num piano Yamaha, enquanto Elis e Cesar Camargo Mariano cumprimentam o público. 

E com a perda repentina de Sérgio Henriques, aquela promissora banda de dias atrás, estava se esfarelando...

Mas o Mu estava ali decidido a pegar o emprego, pois conhecia o Paulo Eugênio, e sabia que ele tinha contatos na noite, e estava precisando de dinheiro, pois estava tocando com uma banda que pretendia fazer som autoral (com o baixista Roatã Duprat, filho do maestro Rogério Duprat e Luis"Bola", um baterista). 


A banda tinha um tremendo som, influenciado pelo King Crimson, mas não estava ganhando nada naquele momento, infelizmente.
Então, disse ao Wilson que o ajudaria, lhe passando harmonias, mas no primeiro show marcado, ele não tocaria por não confiar nele (o Wilson ficou muito indignado com essa franqueza gélida, e saiu do bar bravo, mas voltou, a seguir, aceitando a "ordem").

E para mim, escreveu rapidamente as harmonias de umas 20 músicas, e as letras para o Paulo Eugênio, nos dizendo que tocaríamos aquele repertório no show... 

Ele era arrogante, mas muito competente, pois sabia tudo de cor, como um maestro.

E não dava para se queixar do repertório...Beatles, Traffic, Ten Years After, Elton John, Santana, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, Deep Purple, James Taylor...

E o melhor de tudo : O cara tocava muito !!

Ficamos boquiaberos vendo-o fazer o "Star Splangled Banner"(o hino norte-americano), com todos os ruidos, distorções e alavancadas idênticas ao Hendrix em Woodstock, mas com um detalhe : numa guitarra Gibson Les Paul, sem alavanca. 

Ele fazia toda a ruideira puxando o headstock da guitarra na mão !!!
Seus solos eram infernais !!

O mercado de covers era fortíssimo já naquela época em São Paulo. 

Essa tradição de bandas cover era forte desde muito tempo. No âmbito do Rock, eu diria que desde o final dos anos cinquenta, pois havia uma enorme tradição de conjuntos de bailes, festas em apresentações pelos clubes da cidade, boites, casas noturnas, festas particulares, festas colegiais etc. 

No final dos anos setenta, início dos oitenta, o mercado de covers era muito forte, com dúzias de bandas disputando espaço para tocar principalmente em bares.

A diferença brutal, era que naquela época, isso não atrapalhava em nada os artistas de música autoral, pois haviam espaços para eles. 


A música autoral era apresentada em teatros, casas de shows, ginásios de esportes etc.

Nesse circuito de bares, só tocavam bandas covers e nenhum artista autoral se interessava em tocar nesses espaços.

Voltando ao assunto primordial, os primeiros ensaios aconteceram de forma normal, mesmo sem a presença do Gereba que estava viajando, mas nessa específica terça-feira, tudo mudou repentinamente, pois perdemos Sérgio Henriques e o Mu entrou na banda, dando ordens e de certa forma, nos assustando um pouco com seu gênio irascível.


Gereba estava viajando, mas voltaria, e Wilson ficou bem chateado, mas tudo se contornou adiante para ele.


Continua...

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 9 - Por Luiz Domingues


Infelizmente não tenho e desconheço quem tenha uma cópia dessa aparição no programa Dárcio Campos.

Isso porque ninguém tinha videocassete nessa época, praticamente. 

Inclusive, não havia disponível no mercado brasileiro na época (só começaram a fabricar em 1982, aqui no Brasil).

Talvez os mais abonados possuíssem-no, mas era raríssimo.
A não ser que algum abnegado tenha gravado na época, realmente não existe esse registro.

Mas essa hipótese é remota, mesmo porque, os poucos que tinham esse aparelho em casa, dificilmente assistiriam o programa Dárcio Campos num sábado à tarde, e pior ainda, se interessariam em gravar a participação de uma obscura banda como era o Língua de Trapo naquela ocasião, a não ser que fosse um vidente...
E tenho dúvida se a TV Bandeirantes tenha esse material arquivado.

Naquela época, as fitas de VT eram importadas e muito caras. 

As emissoras de TV costumavam regravar por cima, para otimizar o uso das fitas. É sabido por exemplo, que centenas de jogos de futebol foram apagados para que a TV Tupi pudesse gravar novelas, por exemplo. Por isso que o acervo de gols do Pelé é tão pequeno, infelizmente.

Fora dessa improvável hipótese, só na memória, mesmo.

Bem, na minha com certeza, muito provavelmente na do Laert que tem excelente memória, e sempre foi minucioso com a preservação de tudo a respeito de sua carreira, mas quanto aos demais...não posso garantir nada.
E mesmo estando num ridículo programa de calouros brega, para mim teve um sentido especial tocar naquele palco (para o Laert, também), pois ali aconteceram shows históricos do Rock e da MPB nos anos setenta. Tive esse momento de reflexão interna, enquanto tocava.

Após essa primeira aparição num programa de TV (com a devida ressalva que havíamos tido uma reportagem de um show ao vivo na estação São Bento do Metrô e já relatada anteriormente), a preocupação agora era lançar a fita demo com um show legal.

Mas antes disso, começamos a vender a fita com aquele acabamento caseiro, que expliquei num capítulo anterior.

E foi um estouro de vendas...

Praticamente a nossa Faculdade inteira comprou, e muita gente de outras faculdades, amigos, parentes e conhecidos. 

Lembro-me que chegou num ponto onde o Carlos não suportou a demanda de reproduzir em seu equipamento caseiro, e aí tivemos que encomendar cópias em estúdio, encarecendo um pouco a produção, mas valendo a pena pela quantidade.

Lançamos no início de dezembro de 1980. 


Eu saí da banda no final de janeiro de 1981, e até quando permaneci, havíamos vendido mais de 1300 fitas. 

Um estouro total se levarmos em conta que era uma produção amadora, sem divulgação, e sem respaldo algum.

De forma artesanal e vendida no tète-a-tète, esse número pode ser considerado fabuloso.

E quanto à produção no estúdio, não foi num estúdio profissional de gravação, mas sim o estúdio de ensaio de uma banda cover que atuava na noite paulistana, chamada "Cia. Itda".



E a quantidade de músicas era enorme. Gravamos 18 músicas, o que tornava a missão cansativa.

O resultado final, considerando que era uma gravação ao vivo, com ambiente sem separações (a não ser alguns biombos, e portanto não evitando vazamentos), ficou razoável.


Em 4 canais, na mixagem foi inevitável o processo de redução. 

E no processo final, o estéreo armazenado numa arcaica fita K7, com seu indefectível chiado.

Apesar disso tudo, a qualidade nos agradou, e o sucesso de vendas comprovou a aprovação do trabalho. 


A base do repertório foi usada posteriormente na gravação do primeiro LP oficial do Língua. 

Isso ocorreu em 1982, mas eu não estava mais na banda.

Só voltei em 1983.

Mas conto depois...
O estúdio ficava localizado bem em frente a este observatório astronômico, da Av. Indianápolis, no bairro do Planalto Paulista, zona sul de São Paulo

video
Áudio da música "Tragédia Gramatical",  gravada nessa demo-tape de 1980


Continua...