segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Autobiografia na Música - Língua de Trapo - Capítulo 2 - Por Luiz Domingues


Conforme encerrei falando no capítulo anterior, o baixo elétrico era na opinião deles, "americanizado", e portanto destoava da MPB esquerdista que pretendiam. 

Senti-me no meio da ridícula "Marcha" contra a guitarra elétrica na MPB, nos anos sessenta...
Mas essa estranheza, foi logo superada, porque eu me enturmei rápido, e mesmo sabendo de minha formação Rocker, fui bem aceito.

Mesmo porque, eram jovens empolgados pela questão política, o Brasil vivia aquele clima de ditadura, e era óbvio que essa euforia pelos ideais esquerdistas de igualdade social, fossem o pano de fundo de toda a movimentação dentro de uma faculdade de jornalismo.
Lembro-me que esse clima de "caminhando e andando e seguindo a canção" era ainda muito forte nos corredores da Cásper Líbero, como se estivéssemos em 1968, e não 1979, como era o que ocorria de fato.

E claro, no grupo esses jovens podiam estar nessa vibe esquerdista meio radical, mas só tinha gente inteligente e culta, portanto, rapidamente perceberam que eu era rocker, hippie, mas não alienado como pensaram inicialmente.

O recital ocorreu no dia 26 de junho de 1979, e foi um sucesso. 

Desse grupo original, saiu o embrião do Língua de Trapo.

Nesse dia, seria lançada também a revista "Esquina do Grito", uma produção dos alunos, também, e considerada outra célula mater do que viria a se tornar o Língua de Trapo, doravante.

A formação desse grupo era: Laert Júlio (Voz e Percussão), Paulão Estevam Andrade (sim, aquele guitarrista que citei acima no primeiro capítulo (Guitarra, Violão e Voz); Saulo (Violão, Voz e Percussão); Guca Domenico (Violão e Voz); Pituco (Vocal e Percussão); Nilma (Vocal e Percussão), e eu, Luiz Domingues, no baixo.
Isso não era ainda o Língua de Trapo, como se formatou posteriormente, mas foi a semente primordial. 

Havia uma pequena dose de humor nas músicas do Laert e do Guca, mas isso era aleatório, não sendo a intenção primordial do grupo.

Nesse click de Rivaldo Novaes, eu com meu valente RK Giannini e Paulo "Sustenido" Estevam Andrade, em maior destaque.

Em meio à canções e poemas declamados, assim decorreu esse show da raiz remota do Língua.

O sucesso foi tamanho, que o Diretório Acadêmico marcou mais um show desse grupo, desta vez para o dia 6 de agosto de 1979, visando recepcionar os alunos novos do segundo semestre.

Aliás, a Cásper promovia esse trote cultural aos "bichos", desde essa época. Nada de violência, humilhação e raspar a cabeça, mas sim, recepcionar os novos alunos com shows, exibição de filmes do cine-clube, teatro e poesia.

E assim, com a mesma formação, esse grupo fez o segundo show e dissolveu-se, pois não havia a intenção de seguir carreira. 
Laert Sarrumor mandando ver, no Recital de Música e Poesia

Mas, o embrião estava formado e daí, variações desse grupo foram realizando shows e aparições em festivais estudantis de MPB.

Por exemplo, ainda em 1979, Laert e Guca concorreram individualmente no festival da Universidade Mackenzie, e um único grupo foi formado para executar as duas músicas. 

Eu no baixo; Paulão no violão; Guca violão e voz; Pituco nos vocais e Sebastian, na bateria.
Essa apresentação no Festival do Mackenzie, ocorreu no dia 13 de outubro de 1979, com um público aproximado de 400 pessoas no Teatro, dentro do campus dessa universidade tradicional de São Paulo.

Em 1980, essa dinâmica de shows e festivais dominou o ano todo,
como por exemplo em 29 de março de 1980, quando já batizado como "Laert Sarrumor e seus Cúmplices" se apresentaram numa sala de aula da Faculdade Cásper Líbero, novamente, mas diferentemente das apresentações do grupo de música e poesia em 1979, agora tinha um formato de banda mesmo, e o mote do humor dominava a performance.





Continua...

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