sexta-feira, 4 de maio de 2012

Loyce e Os Gnomos, Lisérgico, Hard, Distorcido - Por Luiz Carlos "Barata" Cichetto



O Despertar dos Mágicos - Compacto Duplo - 1969

Uma das coisas mais barulhentas, sujas, cruas e psicodélicas dos primórdios da história do Rock Brasil, com certeza tem um nome: “Loyce e Os Gnomos”.

Pouquíssimas informações são encontradas sobre o conjunto, mesmo assim desencontradas. Mas, peneirando o material encontrado ali e acolá, na Internet, chegamos ao seguinte: os nomes dos integrantes eram: Loyce, Massaro, Fael (Raphael, o guitarrista), Nilo e Padulla. Algumas fontes falam que eram da cidade de Ribeirão Preto, mas o mais certo é que seriam de Limeira, também no interior de São Paulo. Nada além disso. Alguns comentários em um vídeo postado no You Tube dão uma pista de que hoje os músicos estejam afastados totalmente do ambiente musical.



Em 1969 lançaram um único registro, um compacto duplo, que tinha o titulo de "O Despertar dos Mágicos", por uma gravadora chamada Do-Re-Mi. A sonoridade que encontramos nas músicas é um raivoso Garage Rock, com muita distorção, microfonia, e uma faixa de puro Heavy: "Que é Isso".

Certamente são uma das cosias mais raras e criativas do Rock Brasileiro. O nome do disco claramente inspirado no livro homônimo da dupla Louis Pauwels e Jacques Bergier, que na época era leitura obrigatória a Hippies e Freaks e é considerada uma das maiores obras do Realismo Fantástico.

Na contracapa do compacto, além de informações técnicas um texto de agradecimento que inclui Tom Zé.
O compacto foi relançado pela Valeverde Records, em edição limitada e numerada de 500 cópias, vendidas a 12 dólares e algumas das musicas constam da coletânea "Brazilian Guitar Fuzz Bananas: Tropicalista Psychedelic Masterpieces 1967-1976", organizada por Joel Stones, brasileiro dono de uma loja em Nova York, especializada em raridades da nossa era lisérgica.

Músicas do Compacto Duplo:
1.1 - Era Uma Nota de 50 Cruzeiros
1.2 - José João ou João José
2.1 - Que é Isso?
2.2 - A Jardelina Querida ou Coletivo


Luiz Carlos "Barata" Cichetto é colunista fixo do Blog Luiz Domingues 2. Poeta, Escritor, Webdesigner, Editor Artesanal de Livros e Revistas, é também difusor cultural, através de seu Site A Barata e a Rádio/Blog KFK. Nesta matéria, trouxe à tona a obscura história de uma banda brasileira dos anos sessenta, sem reconhecimento algum, infelizmente. 

8 comentários:

  1. Obrigado ao Luiz Domingues por mais esse espaço em seu blog fantástico. Quem se interessou procure no You Tube que tem videos com duas musicas ao menos. E claro, se alguem tiver alguma informação adicional sobre Loyce e os Gnomos, entre em contato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu é que lhe agradeço. Muito boa matéria investigativa. Acho primordial resgatar artistas que produziram honestamente e por circunstâncias alheias à sua vontade, não tiveram o devido reconhecimento.

      E para quem estiver lendo, que siga a sugestão do Barata e vá olhar no You Tube o material dessa rapazeada abnegada do interior de SP que agitou esse trabalho heróicamente, em 1969.

      Excluir
  2. Ainda não conhecia,ótima banda gostei dessa musica http://youtu.be/4nCXYXxO4so guitarras distorcidas,psicodelia...é o tipo de rock que eu curto,sem retoques.obrigado mais uma vez por engrandecer o meu conhecimento musical,abraços!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Excelente, Kim. O Blog cumpre sua função quando se recebe um depoimento como o seu. O negócio é compartilhar a informação e nesse sentido, o texto do Barata foi muito feliz em seu papel investigativo.

      Vou dar uma escutada no som do Loyce e Os Gnomos através do link que forneceu.

      Abraço !

      Excluir
  3. Luiz não conhecia. Bacana. Adorei o nome, de um livro de realismo fantástico, como você sabe.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito legal !

      Que legal saber que existiram bandas assim nos anos 60, embora o reconhecimento tenha sido nulo para os seus membros.

      Abraço !

      Excluir
  4. Que resgate sensacional. Pena que bandas como essa não tiveram o merecido reconhecimento na época. Não conhecia e fiquei "de cara" pela sonoridade pesada psicodélica em pleno 1969.
    Parabéns ao Barata e ao Luiz pela matéria e publicação.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que legal saber que apreciou essa matéria do Barata, promovendo esse resgate muito justo à uma banda injustiçada pela história.

      Obrigado pela leitura e comentário, Jani !

      Excluir