quarta-feira, 16 de maio de 2012

Autobiografia na Música - Boca do Céu - Capítulo 6 - Por Luiz Domingues

Então chegou a primeira grande oportunidade: O baterista Fran Sérpico faria aniversário no início de fevereiro, e obtendo a aprovação dos pais, poderíamos nos apresentar na sua festa.

Uma festa familiar para quem iria fazer a primeira apresentação da vida, era um acontecimento tão extraordinário quanto uma noiva encara o seu dia do casamento.
Ficamos obviamente eufóricos e intensificamos os ensaios para fazer a melhor apresentação possível, mesmo sendo para uma plateia formada por gente de meia idade e idosos em sua predominância, e longe do que sonhávamos atingir.

E foi no dia 12 de fevereiro de 1977 que o Boca do Céu se apresentou pela primeira vez, no quintal da residência da família Sérpico, no bairro Campo Belo em São Paulo.
Nosso camarim foi a lavanderia da casa.

O precário equipamento era constituído de um mix de voz , marca Phelpa dos anos sessenta; um amplificador de guitarra Gianinni BAG U65; um microfone National de gravador; uma guitarra Gianinni "Supersonic"; bateria Gope (e sem a caixa !!), e um baixo handmade, imitação de Hofner.
Nosso repertório nesse show-debut foi:

1) Mina de Escola (Osvaldo-Laert-Luiz)
2) Centro de loucos (Osvaldo-Laert)
3) Astrais Altíssimos (Laert)
4) No Mundo de Hoje ( Osvaldo-Laert- Luiz)
5) Ah se você soubesse ( Laert)
6) Me Chamo Vampiro (Osvaldo-Laert-Luiz)
7) Tudo Band ( Laert)
8) "Soon- The Gates of Delirium" (Yes) - Que os Deuses do Rock nos perdoem por termos cometido a infâmia de promover esse assassinato com requintes de crueldade...Pelo menos era o trecho final e poupou a todos de um constrangimento maior.


Apesar de toda a precariedade técnica e da inexperiência da banda, recebemos os elogios sinceros dos pais do Fran Sérpico, que disseram ter se surpreendido com a nossa performance, visto que ouviam há meses os ensaios, e notaram que havíamos evoluído...

Bem, esse foi o primeiro show de Rock da minha vida... 


Tirante uma exibição infantil que fiz na bandinha da escola em 1968, essa era a minha primeira exibição pública tocando, e guardo com carinho na memória, essa euforia juvenil que senti.
Foto de dezembro de 1968, tocando triângulo, prosaicamente na bandinha da escola (Escolas Agrupadas da Vila Olímpia), no Teatro Paulo Eiró. Sou o terceiro, da direita para a esquerda, na fileira mais alta
Continua...

2 comentários:

  1. Caramba Luiz, você guardou o setlist... sua memória é fantástica.

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    1. Obrigado, Jani !

      De fato, tenho boa memória, mas não significa que seja perfeita...

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