segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Ciro Pessoa & Nu Descendo a Escada - Capítulo 41 - Por Luiz Domingues

Conforme especifiquei anteriormente, a situação da nossa formação do Nudes ficara numa espécie de suspensão "sine die". Na verdade, o panorama que desenhou-se a nossa frente, foi mais de suspeição do que suspensão, quando notamos, vendo o desenrolar dos fatos via redes sociais da Internet, que o Ciro estava a todo vapor empreendendo todos os seus esforços em prol da criação de sua nova banda, denominada, "Flying Chair". Falo isso no bom sentido, certamente, pois nem eu, tampouco meus colegas, Kim e Carlinhos, nem por um segundo sequer sentimo-nos preteridos, desprestigiados ou tendo qualquer tipo de ressentimento, mesmo porque se houvesse-o, seria descabido. Isso porque o Ciro não recrutou novos músicos para formatar o Nudes à nossa revelia, mas simplesmente optou por formar uma banda em paralelo, com outra sonoridade e outro nome, portanto, nós que éramos Os Kurandeiros e tínhamos a nossa própria banda em paralelo igualmente, jamais poderíamos reclamar de tal predisposição semelhante, adotada por ele. Mesmo porque, os próprios Kurandeiros desdobraram-se em "Magnólia Blues Band" por mais de dois anos, e além disso, nossa banda fora grupo de apoio para artistas como Edy Star e Big Chico, além de ter a identidade secreta de "Os Koveiros" e o próprio Nudes, portanto, ver o Ciro montando o Flying Chair tornou-se algo muito natural para a nossa percepção e indo além, gostávamos / gostamos dos guitarristas Chico Marques e Claudio "Moco" Costa, com os quais interagimos algumas vezes (com o "Moco", muitas vezes ele fora nosso convidado da Magnólia Blues Band e dos próprios Kurandeiros, por ocasião do Projeto "Sunday Blues", realizado no "Templo Club" no início de 2016).

Ótimos guitarristas e gente boa, eram componentes da banda Pop Rock, "8080", cujo primeiro álbum eu tive o prazer de resenhar no meu Blog 1. Veja a resenha, através do Link abaixo :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/search?q=8080

Em suma, estávamos a par de toda a movimentação de Ciro; Chico & Claudio e a comunicação do Ciro via E-mail nesse ínterim, dizia do Nudes entrar em descanso temporário etc e tal, conforme já expliquei em capítulo anterior, inclusive. Mas o tempo foi passando, e a cada dia, o entusiasmo do Ciro com seu novo projeto, fez-nos enxergar que sua energia estava 100% baseada nesse novo projeto e mesmo que houvesse intenção de fazer algum show específico do "Nudes", como por exemplo um contratante aparecendo com a proposta de uma boa produção mediante cachet robusto etc e tal, dificilmente o Ciro, empolgado com sua nova banda, pensaria em recrutar-nos para tal tarefa e o mais lógico seria usar sua nova banda, entrosado e empolgado que estava com seus novos companheiros de trabalho.


Portanto, está patente que a nossa formação do "Nudes" está encerrada e cabe-me fazer agora o balanço final dessa etapa pessoal da minha carreira e os agradecimentos finais, como de praxe no meu texto autobiográfico, conforme assim procedi em relação à todas as bandas por onde atuei no passado.

Retroagindo ao ano de 2011, quando recebi o telefonema do guitarrista Kim Kehl, num dia qualquer de julho daquele ano, sua proposta tinha dupla intenção. Ele convidou-me a integrar sua banda, Os Kurandeiros, e ao mesmo tempo ofereceu-me vaga na banda de apoio de Ciro Pessoa, denominada, "Nu Descendo a Escada", ou "Nudes" como carinhosamente a chamamos, e na qual ele estava recém ingresso, numa reformulação total do time que acompanhava-o. Claro que aceitei a dupla jornada, de imediato, mas não sem elucubrar muitas dúvidas a respeito do trabalho do Nudes, baseando-me na carreira pregressa do Ciro, com sua atuação em trabalhos fortemente mergulhados no mundo do Pós Punk da década de oitenta, portanto, antevendo um possível conflito motivado por interesses antagônicos, preocupou-me.


O Pink Floyd em foto entre 1966 e 1967, aproximadamente
 
Todavia, assim que o conheci, de sua fala, ouvi a expressão : -"o futuro é Pink Floyd", e dessa forma, demoliu-se por inteiro qualquer tipo de receio que eu pudesse ter sobre a nossa convivência, ideias & ideais na música; apreço à contracultura & afins e a visão macro da história do Rock, com aberta simpatia à psicodelia sessentista clássica. Em síntese, senti-me inteiramente a vontade para integrar-me nesse trabalho e mais que isso, apreciar muito fazer parte dele e dar minha contribuição, grande admirador da estética sessentista em geral que sou, e mais detidamente ao universo do Rock psicodélico daquela década.

Foto do primeiro show do Nudes na formação em que fiz parte. 9 de dezembro de 2011. Click de Lara Pap

E assim foi, realizando os primeiros ensaios, com Kim e os músicos Paulo Pires (bateria); Caleb Luporini (teclados) e a bela e competente vocalista, Luciana Andrade. Vieram os primeiros shows, sob condições modestas de produção, mas relevei, pois o trabalho era tão interessante e a companhia dessa turma tão boa, que nunca incomodei-me com esse início "franciscano". Mas ao mesmo tempo, causava-me espanto como um membro egresso do mundo Pós Punk que sempre teve o apoio da "intelligentzia" e o beneplácito da mídia mainstream, não tivesse caminho aberto para produções maiores e com direito a agenda sustentável. No entanto, logo fui percebendo que Ciro também sofria com barreiras intransponíveis, assim como todo artista que sempre militou na contramão da formação de opinião, meu caso e do Kim, igualmente. Nesse aspecto, Ciro, apesar de ser um ex-"Titãs" e um ex-"Cabine C", fora ter sido parceiro de gente incensada como Edgard Scandurra e Julio Barroso, por exemplo, na verdade estava no limbo da carreira tanto quanto nós que nunca tivemos tais oportunidades. Uma pena, mas essa era a realidade e não o que imaginei no início, com o autor de "Sonífera Ilha" fazendo shows sob agenda lotada e abertura numa mídia, senão a mainstream, pois os tempos eram outros, ao menos num padrão intermediário entre  isso e o mundo abissal da obscuridade underground.

Nesses termos, um novo show só foi ocorrer oito meses depois numa cidade paulista interiorana, já em agosto de 2012, e foi muito interessante conforme o descrevi com detalhes em capítulo anterior. Com direito a trem de carga passando durante o show e fazendo a banda flutuar em alguns instantes, trata-se de uma lembrança das mais queridas. E foi a última vez que essa formação contou com Paulo Pires e Caleb Luporini e já o fizemos sem Luciana Andrade, portanto, muitas modificações ocorreram.


Uma lástima, daí em diante seguiu-se um longo período de inatividade só quebrado em 2014, quando dois shows muito estimulantes foram realizados, um no interior e outro na capital e aí sim, ambos em teatros, com uma infraestrutura mais condizente com a psicodelia proposta. Carlinhos Machado entrou na banda e então o Nudes definitivamente tornou-se mais um braço dos Kurandeiros. E Isabela Johansen também ingressou. Casada com Ciro na ocasião, era na verdade uma boa cantora; guitarrista e compositora, portanto, a despeito da relação conjugal com Ciro, Isabela foi uma artista que agregou valor para a banda.

Apesar desses ótimos shows realizados com essa nova formação, e maior interatividade, pois eu; Kim e Carlinhos contribuímos com ideias de novas canções para o trabalho. O show sofisticou-se ainda mais, com a inserção de mais textos surrealistas, baseados no livro que Ciro preparava para lançar e isso animou-nos ainda mais.

Mas as oportunidades rapidamente escassearam e mais um período de limbo sobreveio. Muito desse hiato foi por conta do furor político que cresceu ao longo do ano de 2015 e nessa circunstância, Ciro havia empolgado-se com a militância política via "hang outs" de internet e aliado a artistas como Lobão e Roger Moreira, mergulhou com ênfase nessas ações e assim, o trabalho prejudicou-se bastante. Tirante um show motivado exatamente por essa militância política anti-PT e pró-derrubada do governo Dilma Rousseff, da qual participamos fazendo uma aparição de choque apenas, uma nova ação só foi aparecer no mês de outubro, quando o Ciro propôs um show na noite de autógrafos de seu livro.

Noite de autógrafos e show dos Nudes, no Café Delirium de São Paulo. Na foto, momento pré show e durante a sessão de autógrafos da obra "Relatos da Existência Caótica", seu autor, Ciro Pessoa e Luiz Domingues em foto de Lara Pap. 23 de outubro de 2015.
 
Foi muito agradável e honroso para nós, e chegamos a tocar músicas novas compostas especialmente para a ocasião, baseadas em textos do próprio livro. Mas infelizmente, apesar da noite profícua, pouco tempo depois, a vocalista Isabela Johansen deixou a banda e desfalcou-nos doravante. Um novo show foi marcado logo a seguir, no mesmo espaço, uma casa noturna de São Paulo, e na formação de um quarteto, o Nudes com minha presença, além de Kim e Carlinhos, apresentou-se pela derradeira vez, no início de 2016. Logo a seguir, Ciro começou a empreender esforços em prol de sua nova banda e o Nudes ficou engavetado. Portanto, neste momento que escrevo este trecho e encerro a minha história nesse trabalho, não vejo mais possibilidade de mudança de tal panorama, mas como a vida é mutável e / ou volátil, se houver uma continuidade, nada impede-me de abrir novo capítulo e relatar tal continuidade, ou sobrevida, como queira o leitor.

Agora, vou agradecer aos personagens que gravitaram em torno do Nudes, nesse período do qual fui componente, entre 2011 e 2017 :

1) Kico Stone 

O grande Kico Stone (usando óculos), na foto acima, em companhia do guitarrista superb, Tony Babalu. Acervo e cortesia de Tony Babalu. Click : Karen Holtz
 
Agitador cultural, ator; grande conhecedor da história do Rock e um film-maker de primeira linha, Kico acompanhou os shows desde o início de minha entrada na banda, sempre prestigiando-os e filmando-os. Sou-lhe grato por esse apoio e pela amizade expressa nesse e em outros trabalhos onde estive e estou, onde sempre conto com sua companhia, conversa inteligente, amizade e filmagens de categoria. Sempre brinco com ele, chamo-o de "D.A. Pennebacker" da pauliceia.

2) Gustavo Johansen

      Gustavo Johansen, irmão da vocalista, Isabela Johansen

Irmão de Isabela Johansen, sou-lhe grato pela filmagem do show no Teatro Parlapatões de São Paulo, em 2014

3) Lara Pap

                        Produtora dos Kurandeiros, Lara Pap

Produtora dos Kurandeiros, emprestou um pouco de sua força de trabalho para o Nudes e claro que seus esforços foram muito providenciais e bem vindos. Agradeço-lhe por ter ajudado-nos tanto.

Hora de falar dos membros da primeira formação do Nudes, onde fiz parte :

1) Paulo Pires

Nessa foto promocional da banda "Lavoura", Paulo Pires é o rapaz na parte de baixo, à esquerda e Caleb Luporini está ao seu lado, com cabelos mais longos
 
Baterista da formação assim que ingressei no trabalho, Paulo era (é) um bom baterista, muito firme e sério na maior parte do tempo. Somente no terceiro show que fizemos juntos, pudemos enfim conhecermo-nos melhor e aí eu verifiquei que ele era / é um grande conhecedor de música em geral e Rock em específico, além de colecionador de discos. Nosso convívio foi pequeno, em apenas três shows, apesar desses eventos terem espalhado-se por muitos meses entre uns e outros. Sujeito bacana e bom músico, fiquei com boa impressão a seu respeito. Tempos depois vi notícias suas com outro trabalho, uma banda com ares experimentais, quiçá, "industriais", chamada "Lavoura". Torço para que esteja bem e feliz em seus projetos.

2) Caleb Luporini

             O tecladista / baixista e compositor, Caleb Luporini

Simpatizei com sua pessoa desde o primeiro ensaio que realizamos juntos em 2011 e de fato, Caleb mostrava-se super simpático, expressivo e gente boa. Bom tecladista, disse-me ser baixista, também e demonstrava pela conversa, ter boas influências musicais do passado, embora claramente fosse um músico ligado também em sonoridades modernas de cunho "indie", experimentalismos etc. Também componente do "Lavoura", vejo seu nome sempre citado em eventos de música eletrônica e demais modernidades etc e tal. Sempre torcendo por ele, gente boa que é, para ser bem sucedido e feliz.

3) Luciana Andrade

A cantora / instrumentista e compositora, Luciana Andrade. Foto : Leonardo Pereira
 
Eu tenho a tendência em simpatizar de imediato com pessoas que mesmo adquirindo proeminência na sociedade, seja lá por qual motivação, mantêm-se humildes, sem que o sucesso altere seu comportamento social e sobretudo, pessoal. É o caso de Luciana Andrade, uma artista que fez sucesso mega popular através da banda "Rouge", frequentando o mundo das celebridades da esfera da TV aberta, revistas de fofocas & afins, mas não mudou seu comportamento diante dessa fama e não só isso, mostrando amor a arte, estava conosco imbuída de cantar as canções surrealistas do Ciro, com o mesmo empenho que teria em cantar seus hits radiofônicos no programa da Hebe Camargo. Dona de uma linda voz e que coloria sobremaneira o som do Nudes, além disso era / é muito afinada, tem talento de sobra e é uma mulher muito bonita, portanto sem soar piegas, Lu canta e encanta. Assim que saiu do Nudes, logo no começo de 2012, colocou seus esforços em prol de uma carreira solo que teve um começo promissor, muito embalada pela sua fama popular pregressa, portanto eu a vi em muitas ocasiões em programas de TV aberta e afins, o que naturalmente tinha que aproveitar ao máximo, vide o caráter efêmero com as quais, essas oportunidades surgem e desaparecem. Falei com ela muitas vezes pelas Redes Sociais e sua simpatia é muito grande. Torço para que faça muito sucesso e seja feliz !

Hora de falar dos membros da formação mais recente :


1) Isabela Johansen

       Isabela Johansen, cantora / instrumentista e compositora
 
Com uma juventude a flor da pele, Isabela trouxe muita vitalidade à banda, com sua verve Rock'n Roll acentuada. Guitarrista e vocalista de bandas "Indie", num passado próximo, Isabela revelou-se uma boa cantora e com performance bastante interessante no palco, mostrando desenvoltura, poder de improviso, uma boa dose de loucura e muito carisma. Jovem, muito bonita e vivaz, claro que chamava bastante a atenção nos shows, mas Isabela era mais que um rostinho bonito, pois mostrou-nos ser boa cantora; instrumentista e compositora. Infelizmente, o desgaste de seu casamento com Ciro, respingou na banda, pois tornou-se impossível a sua permanência no trabalho, após a separação do casal. Atualmente, Isabela integra uma banda de Rock chamada "Taberna Escandinava" que tem feito uma boa escalada inicial de carreira, apesar de militar no mundo underground. Torço pelo sucesso dela, sempre. 

2) Carlinhos Machado

Baterista de curriculum gigantesco, Carlinhos Machado somou mais um trabalho à sua enorme lista, tendo tocado no Nudes, também

Não há muito o que acrescentar sobre Carlinhos Machado, visto que estamos trabalhando juntos desde 2011 nos Kurandeiros, e ele esteve junto nos demais desdobramentos que essa banda teve / tem, incluso o Nudes. Portanto, só posso dizer que é um amigo de longa data, leal colega que muito ajudou-me em muitas circunstâncias, grande companheiro de conversas; lembranças & "causos" e um ótimo baterista, com o qual entrosei-me inteiramente, e é sempre bom saber que terei suas baquetas a favor de meu baixo a cada show.

3) Kim Kehl

Kim Kehl, guitarrista de muitas bandas e histórias acumuladas, a serviço dos Nudes, na foto acima
 
O mesmo raciocínio em relação ao Carlinhos, eu e Kim Kehl interagimos em muitos desdobramentos dos Kurandeiros, igualmente no caso do Nudes. Sou-lhe grato por ter telefonado-me num dia de julho de 2011, fazendo-me proposta dupla de trabalho, sendo um dos empreendimentos, o Nudes de Ciro Pessoa. Sou-lhe grato também pelo companheirismo dentro do Nudes e sua capacidade como guitarrista, trazendo formulações harmônicas e coloridos melódicos para esse trabalho, honrando as tradições da psicodelia sessentista. Tais momentos deram-me o prazer de atuar ao vivo dentro de uma vertente do Rock que aprecio sobremaneira, portanto, apesar da escassez de oportunidades para essa banda, infelizmente, nas poucas vezes em que atuamos nos palcos, a psicodelia fez-se presente com galhardia. Estamos trabalhando juntos nos Kurandeiros normalmente e assim espero, por muito tempo.

4) Ciro Pessoa

Cantor / instrumentista / compositor e poeta / escritor, Ciro Pessoa, um baluarte do surrealismo / psicodelia, no Brasil
 
O protagonista mor desse trabalho, Ciro Pessoa surpreendeu-me positivamente, quando enfim conhecemo-nos na gelada noite de 24 de agosto de 2011, e ao proferir uma frase de efeito, cativou-me em torno de seus reais propósitos para com esse trabalho : "o futuro é Pink Floyd". Para quem enxerga a verdade expressa numa frase que para todos os efeitos revela o retrocesso, se interpretada cartesianamente, eis aí o porto seguro que tranquilizou-me a interagir artisticamente com um artista que eu pensava ter ideais antagônicos aos meus. Ciro tem grande capacidade criativa, é performático ao extremo e exerce tal loucura no palco, sem parcimônia. Com ele em cena, tudo é possível e eu adorava ter tal elemento ao meu lado como trunfo do trabalho. Sentia-me numa banda psicodélica tocando no auditório Fillmore West em pleno 1967, com a loucura dominando todas as ações. Como já explanei amplamente, Ciro mostra-se empolgado e empenhado com seu novo trabalho através da banda "Flying Chair". Espero que seja muito feliz nessa nova empreitada e atesto que a banda tem alta qualidade, visto que já resenhei seu álbum de estreia em meu Blog 1. Veja abaixo, o Link para saber de tal impressão que tive desse trabalho :

http://luiz-domingues.blogspot.com.br/2017/08/flying-chair-1-album-por-luiz-domingues.html


             Luiz Domingues em ação com o Nudes, em 2014

Encerrando, agradeço ao Ciro Pessoa a oportunidade de tocar ao seu lado, exercendo a psicodelia, que é uma das vertentes que mais aprecio no Rock sessentista, e se tive lampejos dessa escola em alguns trabalhos pregressos que realizei, com outras bandas onde fui componente (bem sutilmente no "Pitbulls on Crack" e mais incisivamente no "Sidharta" e na "Patrulha do Espaço"), creio que no Nudes, pude exercer isso mais substancial e integralmente.

Está encerrada portanto a minha história com o "Nudes" (Nu Descendo a Escada), banda de apoio do cantor/ compositor e poeta, Ciro Pessoa.

Daqui em diante, as atualizações seguem com minha banda atual, Kim Kehl & Os Kurandeiros e sazonais novidades com trabalhos avulsos e /ou reencontros com bandas do passado e / ou campo aberto para trabalhos novos que possam surgir.

Grato por ler a história dessa etapa da minha carreira !

Até logo...

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Autobiografia na Música / Atualizações - Kim Kehl & Os Kurandeiros - Capítulo 61 - Por Luiz Domingues

De fato, tínhamos um histórico de apresentações no Espaço Cultural Gambalaia, da cidade de Santo André / SP, desde 2011, assim que ingressei na banda. E também era fato que simpatizávamos com tal aconchegante espaço, onde sempre era agradável apresentar-se e além disso, certeza de uma apresentação com boa possibilidade de captar-se boas fotos e filmagem.

Luiz Domingues com Os Kurandeiros em 12 de março de 2017, no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP em clicks de Juja Kehl
 
E essa perspectiva cumpriu-se, certamente, quando ali voltamos em 12 de março de 2017, um domingo e desta feita, sob os auspícios de um lançamento de novo álbum, uma boa novidade para o público de Santo André e de todo o ABC. Tudo foi muito bacana nessa noite ali no Gambalaia, com uma única exceção e que nada teve a ver com a apresentação em si, tampouco com o espaço. Ocorreu que o palco já estava montado para o soundcheck, ainda no período da tarde, quando lembrei-me de buscar um objeto no interior de meu automóvel estacionado próximo ao Gambalaia. Peguei o que precisava e quando só faltava fechar e trancar a porta do veículo, alguém freou e buzinou com contundência na esquina e nesse momento em que olhei para ver o que ocorria na rua com outrem, distraí-me completamente e nessa fração de segundos em que a porta estava sendo fechada com certa força, não tirei minha mão direita rápido o suficiente e prensei-a com bastante truculência, causando-me dor intensa e um hematoma instantâneo. Naquela fração de segundos, imaginei que havia quebrado o dedão da mão direita, o maior prejudicado pelo acidente, mas logo a seguir, percebi que não ocorreu fratura propriamente dita, mas o inchaço foi enorme e a respectiva unha ficou inteiramente roxa, obviamente causada pelo fluxo sanguíneo de uma pequena hemorragia interna.

Mais flagrantes dos Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, no dia 12 de março de 2017. Clicks de Cristina Piratininga Jatobá

Mesmo doendo muito e preocupando-me em relação ao show que ocorreria cerca de uma hora e meia depois disso, não pude deixar de recordar-me de que o guitarrista Jimmy Page, do Led Zeppelin, passara por fenômeno semelhante por volta de 1976, quando prensara a mão acidentalmente numa cabine de trem, em algum lugar da Europa, Suíça ou Alemanha, não recordo-me ao certo. Bem, no meu caso, a dor, inchaço e coloração assustadora da minha unha preocupou-me, mas em nenhum momento eu cogitei cancelar o espetáculo por conta desse acidente e sua consequência desagradável. Tanto foi assim, que nem comuniquei de imediato aos colegas o ocorrido e só depois contei-lhes o fato, com o show consumado e sem nenhum prejuízo à minha performance pessoal e muito menos com possibilidade de prejudicar a banda.
Luiz Domingues em destaque nas fotos 1 e 3 e a banda em panorâmica na foto 2. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia, de Santo André / SP, no dia 12 de março de 2017. Clicks, acervo e cortesia de Regina de Fátima Galassi


Antes mesmo do show iniciar-se, três pessoas que vieram assisti-lo, surgiram nos bastidores e foi muito agradável revê-los. Um foi José André, o responsável pelo excelente Site, "Nave dos Deuses", que trata-se de um dos maiores baluartes de apoio ao Rock Brasileiro, tendo um trabalho impecável em termos de organização; acervo impressionante de discos e informação sobre artistas de todos os tempos, incluso suporte irrestrito para artistas novos. Grande conhecedor da matéria e um entusiasta sem reservas do Rock nacional, José André conversou comigo por bastante tempo, colocando-me a par das últimas novidades de seu Site, e ali falou detidamente sobre o último álbum do "Klatu" que impressionara-o fortemente. Como o leitor de minha autobiografia já sabe bem, o Klatu é a banda de meu ex-aluno e amigo, Alexandre Peres "Leco" Rodrigues, e eu já havia publicado tempos atrás uma resenha abordando a banda e seus primeiros dois discos, em meu Blog 1. Questão de poucos dias depois, o próprio Alexandre abordou-me e entregou-me o CD desse novo trabalho e logo a seguir, também impressionei-me positivamente com a obra, assim como o José André alertara-me e também elaborei uma resenha dele, em meu Blog 1. 
Foto do José André, mostrando Os Kurandeiros no palco do Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017

O segundo amigo que apareceu nos bastidores do pré-show, foi José Roberto Agatão, um rapaz que eu conhecera nos tempos da Patrulha, através do Rolando Castello Junior. Fã da Patrulha do Espaço, Agatão acompanhou diversos shows da nossa banda na ocasião de nossa formação "Chronophágica" e sempre foi um amigo solícito, pronto a apoiar. Agora morando na região do ABC, ali apareceu para prestigiar Os Kurandeiros e foi muito agradável ter sua presença e entusiasmo, grande Rocker que é.
No pós-show, da esquerda para a direita : Kim Kehl; o amigo José Roberto Agatão e Luiz Domingues. Foto clicada por Regina de Fátima Galassi e acervo de José Roberto Agatão


E o terceiro amigo que surgiu no show, foi o excelente guitarrista, Marcos Mamuth. Também morador do ABC, ficou bem facilitada a sua visita, ainda bem. Mamuth contou-me sobre a seriedade dos problemas de saúde que teve, logo a seguir do problema que eu enfrentei. Também passara por cirurgias perigosas e teve longo tempo de recuperação pós cirúrgica. Que bom vê-lo ali recuperado e com a vida quase normalizada e só quem passou por sufoco semelhante, sabe o quanto é demorada a plena recuperação e o quanto comemora-se cada pequeno avanço nesse sentido...
No pós show com o grande Marcos Mamuth que prestigiou-nos. Da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; o guitarrista Marcos Mamuth; Kim Kehl e Luiz Domingues. Click de Regina de Fátima Galassi. Acervo e cortesia de Marcos Mamuth 


"Eu Vi um Anjo" (Kim Kehl) - um pequeno trecho com a perspectiva da câmera acoplada ao baixo de Luiz Domingues. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017

Sobre o show, foi excelente e com uma boa nova. O irmão mais novo do Kim, Juja Kehl, que é um experiente Road Manager a serviço de artistas mega populares do mainstream da música, é também fotógrafo e film-maker. Juja, quando não está na estrada, literalmente, cuidando da logística de turnês monstruosas de artistas desse porte, gosta de fazer fotos e filmagens temáticas e de fato, ficou muito bom nisso, e apesar de ser aparentemente um "hobby", leva tal tarefa a sério e mais que isso, é bastante procurado por uma clientela que deseja seus serviços marcados pelo bom gosto. Como por exemplo, desenvolve ensaios com garotas estilizadas na temática das "Pin Ups Girls" ao sabor da moda dos anos 1940 / 1950, fazendo álbuns em que nada devem aos profissionais norte-americanos especialistas no assunto. E assim, numa rara brecha de de sua agenda, Juja prontificou-se a estar conosco no Espaço Cultural Gambalaia e fotografar e filmar-nos. E além disso, uma fotógrafa também conhecida no métier do Rock paulistano, também esteve presente e brindou-nos com seus clicks de muito bom gosto, no caso, a simpática, Cristina Piratininga Jatobá.
Os Kurandeiros em ação no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017. Clicks de Cristina Piratininga Jatobá

"Faz Frio" (Kim Kehl) - na mesma perspectiva do vídeo de "Eu Vi um Anjo", mas desta feita com a câmera acoplada à guitarra de Kim Kehl. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017 

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=FwinyJf9Zbk 

Trecho de "O Filho do Vodu", com ênfase no baixo de Luiz Domingues. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=oK0oXJmO5OU 

Trecho de um solo "Blues Rock" com ênfase na guitarra de Kim Kehl. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=0UtplywuGZY 

"A Noite Inteira" (trecho), sob a perspectiva do baterista Carlinhos Machado em ação. Filmagem e produção de Juja Kehl. Os Kurandeiros no Espaço Cultural Gambalaia de Santo André / SP, em 12 de março de 2017


Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=xOnX-rlJFAU 

Portanto, dedão arruinado e latejando a parte (e nesse dia eu estava com dor de dente, também, portanto, como dizia o nosso querido Dr. John : -"such a night"...), foi muito divertido fazer o show e ter lançado o nosso novo EP na sempre acolhedora cidade de Santo André / SP, uma urbe Rocker, por natureza.
Foto posada do pós show, para servir como peça de promoção em 2017. Click de Juja Kehl, no Espaço Cultural Gambalaia, de Santo André / SP, em 12 de março de 2017. Os Kurandeiros, da esquerda para a direita : Kim Kehl; Carlinhos Machado & Luiz Domingues 

Depois disso, recebemos o convite do tecladista Alexandre Rioli, para uma nova investida em sua casa, o Magnólia Villa Bar, onde os Kurandeiros construiram uma história bem longa anteriormente e mais do que isso, havíamos sido uma banda com dupla identidade por dois anos e meio, praticamente, como "Magnólia Blues Band". Portanto, se havia uma casa onde Os Kurandeiros sentiam-se  inteiramente familiarizados, sem dúvida que a simpática casa do bairro da Lapa, na zona oeste de São Paulo, era praticamente o nosso QG. Mais que uma apresentação a mais, Alexandre convidara-nos a participar de um chat-show ligado a uma webradio que gravaria uma entrevista no dia e o show, quase na íntegra, além de execução de nossas músicas, mediante áudio dos CD's da banda.

"A Galera do Rock" no Magólia Villa Bar, em transmissão da webradio, Planet Music Brasil" - 24 de março de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=mw-FRF0bcOE

"7 Anos" no Magnólia Villa Bar, em transmissão da webradio, Planet Music Brasil - 24 de março de 2017

Eis o Link para assistir no You Tube :
https://www.youtube.com/watch?v=OdqWOHbK1p4
 
E assim foi na noite de 24 de março de 2017, quando concedemos entrevista ao simpático Altevir, responsável pela webradio, Planet Music Brasil. Foi uma entrevista muito descontraída, muito pela condução agradável de Altevir, deixando-nos bem a vontade e onde falamos do trabalho dos Kurandeiros, passado / presente & perspectivas de futuro, quando sobrou até espaço para falarmos de trabalhos pregressos de cada um. 
Confraternização com amigos da banda, no Magnólia Villa Bar, na noite de 24 de março de 2017. da esquerda para a direita : Carlinhos Machado; Kim Kehl; Victoria Furlani (nora de Regina de Fátima Galassi); Luiz Domingues e a amiga, Regina. Click de Lara Pap 

Agora, tínhamos mais uma série de shows em casas noturnas paulistanas, incluso algumas em que nunca havíamos tocado anteriormente e que gerou histórias inusitadas, que contarei a seguir.

Continua...